Como diferentes culturas enxergam a maternidade e celebram o papel das mães ao redor do mundo
A maternidade está presente em praticamente todas as sociedades como símbolo de cuidado, proteção e continuidade da vida. Ainda que diferentes culturas possuam costumes, religiões e formas distintas de organização social, a figura materna continua ocupando um espaço essencial na formação emocional, cultural e humana das gerações.
Na Bolívia, a maternidade está profundamente ligada às tradições culturais, familiares e comunitárias do país. Influenciada pelas raízes indígenas quéchua e aimará, a figura materna ocupa papel essencial na transmissão de valores, costumes e identidade cultural entre gerações.
Muitas mães bolivianas conciliam o cuidado com os filhos, o trabalho e a preservação das tradições ancestrais, especialmente nas comunidades andinas onde a família e o senso coletivo possuem grande importância. As chamadas “cholitas bolivianas” tornaram-se símbolos da força feminina e da resistência cultural no país.
O Dia das Mães na Bolívia é celebrado em 27 de maio, data que homenageia as Heroínas de la Coronilla, mulheres que participaram da luta pela independência boliviana em 1812, reforçando a relação entre maternidade, coragem e identidade nacional.
Nas sociedades árabes, a maternidade costuma estar profundamente ligada aos valores familiares e religiosos. Em muitos países do Oriente Médio, a mãe ocupa posição central dentro da estrutura familiar, sendo frequentemente associada à transmissão de princípios culturais, espirituais e sociais aos filhos.

O respeito à figura materna possui grande relevância em diversas tradições islâmicas e familiares ao mesmo tempo as transformações sociais das últimas décadas ampliaram a presença feminina na educação, no mercado de trabalho e na vida pública, modificando gradualmente a forma como muitas mulheres vivem a maternidade nessas sociedades.
Já em diversas culturas orientais, especialmente em países como Japão, China e Coreia do Sul, o papel da mãe costuma estar relacionado à dedicação intensa à educação e ao desenvolvimento dos filhos.

Em sociedades marcadas pelo coletivismo e pelo forte senso de responsabilidade familiar, muitas mães participam ativamente da formação acadêmica, emocional e social das crianças. A maternidade frequentemente é associada ao compromisso, à disciplina e ao cuidado contínuo com o bem-estar familiar. Entretanto mudanças econômicas e sociais vêm alterando essas dinâmicas, principalmente diante da redução das taxas de natalidade e da crescente participação feminina no ambiente profissional.
Nas sociedades ocidentais, o papel materno passou por profundas transformações ao longo das últimas décadas. O avanço dos direitos das mulheres, a maior presença feminina no mercado de trabalho e as mudanças nos modelos familiares contribuíram para novas formas de viver a maternidade.

Atualmente muitas mães conciliam carreira, vida pessoal e responsabilidades familiares, enquanto temas como maternidade solo, divisão parental e saúde emocional passaram a fazer parte dos debates contemporâneos sobre família e sociedade.
Em diferentes países, idiomas e tradições, a maternidade permanece conectada à ideia de acolhimento, educação e construção das futuras gerações.
As próprias homenagens às mães também mudam ao redor do mundo conforme a cultura e a história de cada país. No Brasil, nos Estados Unidos, no Japão e em diversas outras nações, o Dia das Mães é celebrado no segundo domingo de maio.

Em Portugal e na Espanha, a data ocorre no primeiro domingo de maio. Já na Argentina, a comemoração acontece no terceiro domingo de outubro. Em países árabes como Egito, Líbano e Jordânia, o Dia das Mães é celebrado em 21 de março, coincidindo com a chegada da primavera no Hemisfério Norte.
Na Tailândia, a homenagem acontece em agosto em referência ao aniversário da rainha Sirikit, considerada símbolo materno nacional.

Essas diferenças mostram que a maternidade também carrega significados culturais e históricos próprios de cada sociedade.
Em algumas regiões, a celebração possui influência religiosa em outras está ligada às estações do ano, às tradições familiares ou até mesmo a símbolos nacionais. Mesmo com datas diferentes, o objetivo permanece semelhante: reconhecer a importância das mães na construção afetiva, social e cultural da humanidade.
Dentro das Relações Internacionais, a maternidade também se conecta a debates globais sobre direitos das mulheres, políticas familiares, igualdade de gênero e desenvolvimento social.
A forma como cada país valoriza suas mães revela aspectos importantes sobre sua estrutura cultural, econômica e social.
Questões como licença-maternidade, apoio à infância e proteção social passaram a integrar discussões internacionais sobre qualidade de vida e desenvolvimento humano.
Mais do que uma experiência individual, ser mãe continua sendo uma das expressões humanas mais universais da sociedade.
ocupando um papel fundamental na preservação da memória, dos valores e das relações humanas ao redor do mundo.
Fontes e referências
UNESCOUN Women (ONU Mulheres)
UNICEF Encyclopaedia Britannica – Mother’s Day
Wikipedia – Dia das Mães
CountryCanaltech – Por que o Dia das Mães é celebrado em datas diferentes
Texto, edição e revisão: Isabel Kurrle