Depois de anos de brigas públicas, declarações atravessadas, ameaças de reunião, mentiras convincentes e silêncios que falam, o Oasis está de volta. E não é mais boato, meme ou sonho adolescente: a banda sobe ao palco nesta sexta-feira, no Principality Stadium, em Cardiff, País de Gales, para abrir a turnê.
Repito: o Oasis voltou.
Para uma geração inteira, isso não é apenas uma notícia. Não é uma nota de rodapé num jornal. É recomeço. É como se aquele grito preso na garganta desde 2009 finalmente tivesse saído. E não importa se você tinha vinte, trinta ou quinze anos quando ouviu “Champagne Supernova” pela primeira vez, esse som mora em algum lugar seu. E ele está de volta.
Oasis nunca foi sobre sofisticação musical. Foi sobre brutalidade emocional. Sobre fazer canções imensas com acordes simples, sabendo que não precisa de mais do que isso pra sentir tudo. Foi sobre ser vulgar e profundo na mesma frase, sobre fazer da arrogância um gesto de fé em nós mesmos.
É sobre aquele All Star sujo que a gente nunca jogou fora. Sobre a primeira vez que ouvimos “Live Forever” e juramos que era uma promessa. Sobre os amigos que se foram, os amores que a gente não esqueceu, os CDs riscados, os fones de ouvido enrolados no bolso do casaco. É sobre o que a gente perdeu. Mas que, talvez, possa voltar.
Oasis foi, disparado, o maior fenômeno do britpop (com todo o respeito ao Blur, que eu amo também) nos anos 90. São tantos hits que eu passaria o texto inteiro tentando enumerar. Surgido em Manchester, a banda encarnou o espírito rebelde daquela geração. Definitely Maybe, (What’s the Story) Morning Glory? e Be Here Now, os três primeiros discos, são três obras-primas, ainda mais impressionantes quando se lembra que era uma banda ainda em formação.
Há uma certa melancolia ao pensar que, se não tivessem brigado tanto, ocupando às vezes mais as manchetes com escândalos do que com música — poderiam ter se consolidado como a banda da geração. Mas talvez o Oasis fosse isso mesmo: entre tapas e hits.
Quanto a mim, nunca vi um show do Oasis. Tinha quatro anos quando eles brigaram definitivamente. Mas agora eles estão de volta.
Oasis voltou.
Se essa volta vai durar? Tomara que sim, tomara que seja pra sempre. Mas essa estabilidade nunca foi a cara deles. E se for só por essa turnê, já valeu. Porque tem coisa que não precisa durar pra ser eterna.
Volta, sim. Mas vem como se nunca tivesse ido.
