Em tempos de fast fashion a todo vapor, uma nova tendência vem se firmando entre os adolescentes: garimpar em brechós. E não é só pela economia. A moda vintage, sustentável e cheia de personalidade virou símbolo de estilo — e atitude — entre jovens da geração Z.
Enquanto marcas lançam coleções novas a cada semana, adolescentes ao redor do mundo estão olhando pra trás: calças jeans dos anos 90, jaquetas oversized, camisetas de bandas antigas e bolsas com cara de armário da avó ganham vida nova nas ruas, nos feeds e até nas passarelas.
Mas não é só sobre estética — é também sobre consciência. A indústria da moda é a segunda que mais polui o planeta, e essa informação pesa. Muitas adolescentes estão deixando de comprar por impulso pra consumir de forma mais ética, priorizando roupas de qualidade, de segunda mão, que duram mais e poluem menos. Só em 2023, o mercado global de segunda mão cresceu 18%, segundo a plataforma ThredUp.
Outro motivo é a exclusividade: em tempos de tendências copiadas em massa, achar uma peça única virou um luxo de verdade.
Moda com identidade própria
Usar roupas de brechó também é uma forma de descobrir — e afirmar — quem você é. Sem depender do que a loja do shopping diz que tá na moda, a geração Z vem criando seu próprio estilo com liberdade, misturando décadas, estampas, tecidos e ideias.
É por isso que os looks do dia no TikTok, hoje, não são mais sobre estar perfeita, mas sobre estar autêntica. E os likes costumam vir justamente das combinações improváveis: um vestido floral retrô com tênis esportivo, um suéter dos anos 80 com saia xadrez, uma jaqueta de couro rachada que parece ter saído de um filme antigo.
Onde tudo isso acontece?
O boom da moda de segunda mão também fez nascer muitos brechós online, comandados por adolescentes e jovens adultos. Perfis no Instagram vendem peças garimpadas com curadoria e estilo — e em muitos casos, as roupas vêm com bilhetinhos escritos à mão, embalagens reutilizadas e até dicas de como usar o look.
Além disso, aplicativos como Enjoei, Repassa, Troc e até o Mercado Livre se tornaram vitrines pra esse tipo de consumo. Fora do virtual, feiras de troca, brechós comunitários e até “rolês do desapego” entre amigas são formas criativas de renovar o guarda-roupa sem gastar (quase) nada.
E no fim, o que vale?
A moda do brechó não é só uma tendência — é um posicionamento. É sobre dar valor ao que já existe, fugir do consumo exagerado e construir estilo com mais verdade e menos pressa. É sobre escolher com o coração, e não com a etiqueta. É sobre usar a roupa como uma extensão de quem a gente é — e não do que esperam que a gente seja.
E talvez esse seja o verdadeiro luxo da nossa geração: usar a moda não pra parecer, mas pra pertencer — a nós mesmas, ao nosso tempo, ao nosso planeta.
🛍️ Brechós legais para garimpar por aqui
Porto Alegre
Baú do Gato (Cidade Baixa) – Rua Luiz Afonso, 269. Ambiente acolhedor, novidades diárias a partir de R$ 10, e sempre peças estilosas e autênticas .
Casa da Traça – Av. Independência, 450. Clima alternativo com mezanino para eventos, peças e acessórios incríveis, som ambiente gostoso .
Balaio de Gatos – Rua São Carlos, 574, Floresta. Brechó grande, com seções diferenciadas e até itens de decoração .
Peça Rara (Moinhos de Vento) – Rua Castro Alves, 614. Franquia reconhecida, setor masculino, feminino, infantil e decoração, 400 m² de achados – inaugurou em janeiro de 2024 .
Maria Sem Vergonha – Av. Osvaldo Aranha, 870. Preços a partir de R$ 6 e peças com ótimo custo‑benefício .
Canoas e Região
Novo Brechó – R. Padre Réus, 20, Mathias Velho, Canoas .
Brechó Dutra – R. República, 20, Mathias Velho, Canoas .
Panno Fyno Brechó – R. Araguaia, 425, Igara, Canoas .
Online e apps
Apps como Enjoei, Repassa, Troc e o Mercado Livre viraram vitrines modernas de garimpo consciente.
Perfis no Instagram gerenciados por adolescentes vendem peças selecionadas, embaladas com bilhetinhos e embalagens recicladas.