A gente quer entender tantas coisas na vida e nem sempre consegue.
Por exemplo: o que levou Picasso a desenhar daquela maneira? Por que Van Gogh não vendeu um único quadro enquanto estava vivo?
Por que alguns de nós enfrentam tempestades, enquanto outros atravessam a vida como se andassem em calçadas lisas e seguras?
As dificuldades que vivemos moldam quem somos, mas é muito difícil analisar a vida pelos nossos próprios olhos. Cada um de nós carrega um olhar único, um repertório de experiências, dores e memórias que definem o modo como enxergamos o mundo. E é justamente por isso que a vida é tão fácil de se perder.
Há coisas que levamos anos para construir e que se desfazem em segundos. Tudo depende das atitudes que tomamos, das palavras que escolhemos, dos silêncios que deixamos ficar.
E quando tudo desmorona, vem a melancolia, a ansiedade, o desânimo. Vem o peso de viver em um mundo onde o dinheiro ainda determina o conforto, o acesso, as oportunidades. Onde a vida de alguém pode mudar,ou acabar, em segundos, por uma questão de sorte, ou falta dela.
É cruel perceber como nos sentimos impotentes quando algo grave acontece com quem amamos e não há nada que possamos fazer. É como abrir uma caixinha de remédios e escolher um ao acaso, fingindo que sabemos o que cura. Às vezes tentamos tapar o buraco da alma com distrações, vícios, promessas que não cumprimos, como quem fuma sabendo que faz mal, mas sem conseguir parar.
A vida é um campo delicado e ainda assim, dentro de toda essa fragilidade há algo divino: nossa capacidade de amar.
Amar o que não conhecíamos, amar alguém que não faz parte dos nossos sonhos ou da nossa história. Amar sem garantias.
E também, quando é preciso, deixar ir…
Nos afastar de pessoas que já foram parte de nós e entender que isso também é amor: o de permitir que a vida siga o seu curso.
Então, cuidado.
Somos frágeis.
Mas é dessa fragilidade que nasce a sensibilidade, a arte, a coragem de recomeçar e o desejo de viver.
E talvez seja esse o verdadeiro milagre.

Edição: Isabel Kurrle