Já posso começar o texto desconstruindo um pouco o mito da moda e entregando o “ouro”? O Glamour é só faixada em eventos badalados, desfiles disputados e editoriais de revistas, sites e redes sociais.
Moda é muito mais sobre perrengue, do que sobre o tão sonhado glamour.No corre de estilistas, fashionistas, blogueiros, fotógrafos e referências do meio, sempre tem muito desafio. É bastidor de desfile que peças descosturam, modelo que deixa de servir na peça de última hora, problemas com as centos de grandes nomes que trazem grandes transtornos a eventos, colar fica crepe nos calçados para desfiles e editoriais, afinal a peça será vendida, e por aí vai…
A blogueira raíz (com o renomado blog Garotas Estúpidas, o GE), influenciadora, empresária e nome afrente do GE Beauty, Camila Coutinho, conta em seu livro “Estupida, Eu?” (de 2019) um pouco do início de sua jornada:
“…fui convidada a fazer parte do staff (de referindo ao Recife Fashion) e minhas tarefas fashionistas eram: colar adesivo em centenas de credenciais e fotografar a montagem do evento. Puro Glamour, não?”
Em outra passagem, Camila Coutinho, nome que chegou na lista Forbes Under 30, que é um conjunto de listas que apontam os principais destaques (sejam empresários, influenciadores, criadores…) com menos de trinta anos de idade, revela um pouco sobre outro perrengue recorrente (não só na moda, mas creio que em boa parte do mercado de criadores e criativos): a rivalidade.
Ela conta que assim que começou a estagiar em grande nome da moda uma colega de trabalho disparou: “aqui é igual tropa de elite, você vai pedir pra sair”.

Foto Crédito: Freepik
No recente documentário ‘Victoria Becham’ (da Netflix), vemos o desespero da estilista ao saber de última hora que uma de suas modelos se acidentou e teriam de trocar de última hora a roupa da moça para poder cobrir o joelho machucado. Sim, ela vou trabalhar machucada e a equipe de Victoria foi rápida e incisiva na troca. Afinal, era o maior desfile da carreira de sua marca, em Paris e vemos ao longo do documentário que nada a pararia e assim foi.
Detalhe mega importante, um temporal caiu horas antes do evento, chegando a fazer todos dizerem para a estilista cancelar e ela foi firme “vamos aguardar e vamos fazer acontecer”. E são pessoas assim que nos inspiram e fazem “pequenas revoluções” no mundo.
Sim, a lista de perrengue nos bastidores é vasta, e no caso contado na autobiografia de Gisele Bundchen, Aprendizados, chega a dar dó da gaúcha. Em uma passagem, a Uber model revela que em seu maior desfile, até então, aos dezoito anos de idade, a blusa que vestiria acompanhando uma saia se perdeu nos bastidores. O desfile foi para ninguém menos que Alexander MCQueen, nome já forte nessa época (1998), que de última hora decide pintar “uma blusa” para esconder os seios de Gisele. Detalhe, a gata chorou de medo e vergonha do que sua família pensaria.
E o cenário, que era uma passarela com chuva, deixou a maquiagem, já borrada de lágrimas, ainda mais evidente e dramática tornando assim e um dos momentos mais memoráveis, não dá carreira de Gisele, mas da história da modelo e de Alexander McQueen.

Foto: Gisele Bundchen – Crédito: Google
No entanto o tão falado glamour ainda segue sendo o carro forte de grandes, e até pequenas, marcas e estilistas. A estética das peças, o apreço por sua qualidade, e mais que isso, a identidade visual que gera identificação, ou não, em milhares de pessoas é o que nos move a consumir peças que tenham nosso estilo, nossa cara, nossa, mais uma vez, identidade visual.
E com ou sem perrengues de backstage, a gente segue admirando os grandes eventos do seguimento com o encanto da perfeição da entrega da marca ou estilista.
Edição: Isabel Kurrle