É com o coração em festa que escrevo minha primeira coluna aqui na Essenciale — e não poderia escolher outro tema senão o nosso carnaval, esse espetáculo tão brasileiro, que pulsa história, cultura, emoção e… reflexão!
E quando penso em carnaval com profundidade e afeto, dois nomes me vêm à mente com brilho próprio: Milton Cunha e André Carvalhal.
Duas vozes diferentes, mas que se encontram no desejo de fazer da folia um espaço também de conhecimento, estilo e consciência.
✨ Milton Cunha — o comentarista mais amado do Brasil — não é só plumas, metáforas e emoção.
Ele é doutor em Estética e Tecnologia da Comunicação, com formação em Belas Artes e História da Arte, e carrega no timbre sua paixão pela narrativa carnavalesca como elemento legítimo da cultura brasileira.
Sua presença nos desfiles transcende a passarela: é uma aula ao vivo sobre alegoria, ancestralidade, simbologia e sensibilidade estética.

E olha, nem só de palavras vive o nosso Milton.
Sabia que ele manda fazer cerca de 40 ternos exclusivos para o período do carnaval?
Todos com cortes impecáveis, brilhos estratégicos e personalidade teatral — uma elegância que virou símbolo e extensão de sua narrativa visual.
Milton Cunha é um desfile por si só.
E é impossível falar dele sem lembrar do meu primeiro encontro com essa figura tão marcante.
Durante os anos em que vivi no Rio de Janeiro, tive o prazer de cruzar com ele — ainda antes da TV e da fama nacional — na loja Babadão da Folia, no Saara, onde eu humildemente estava escolhendo penas e tecidos para produzir uma pequena parcela de fantasias.
Ele, já carnavalesco de uma escola, analisava tecidos em volumes exuberantes.
Fiquei ali, observando, curiosa, me perguntando: “Quem é esse homem que compra como quem está construindo um mundo inteiro?”
Mal sabia eu que era, de fato, isso que ele fazia.
🌱 E se Milton representa o encantamento e o saber da avenida, André Carvalhal traz o contraponto necessário: um olhar atento sobre os impactos da nossa estética.
Comunicador, escritor, consultor de moda sustentável, André tem nos provocado com reflexões importantes.
Recentemente, ele levantou uma questão urgente sobre o desperdício têxtil nos abadás dos camarotes: peças superdimensionadas, pensadas apenas para serem cortadas na hora da customização.
Como ele bem pontua, essas camisetas já poderiam ser produzidas com menos tecido, com modelagens mais ajustadas — diminuindo o descarte e reduzindo o impacto ambiental.
E veja como a vida é curiosa: eu, que atendia algumas das produções de moda do André lá atrás, quando trabalhava como vendedora no Fashion Mall, e o encontrava em eventos e festas no Rio há mais de 15 anos, hoje escrevo sobre sua contribuição para um tema que me é tão caro: a sustentabilidade na moda e na cultura.
Jamais imaginei que um dia dividiria, de forma simbólica, o encantamento com duas figuras tão importantes desse universo que me fascina.
Segundo dados do setor, o Brasil descarta cerca de 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano — um número alarmante que reforça a urgência desse olhar mais consciente, até mesmo nos bastidores da folia.
🎭 E se tem algo que esse carnaval de 2025 me ensinou, foi a escuta profunda que essas duas pessoas me despertaram.
Milton, com seu discurso apaixonado pela cultura do carnaval, pela defesa grandiosa da história das escolas de samba, me fez olhar com ainda mais reverência para essa arte.
E André, com um vídeo recente que eu assisti, compartilhei e repostei com entusiasmo, me provocou como poucas vezes fui provocada.
Duas falas diferentes, dois mundos distintos — mas ambos abriram verdadeiros “apartamentos” dentro da minha cabeça.
Me fizeram refletir com intensidade, como raramente acontece.
E por isso, nesta coluna de estreia, quis trazê-los.
Porque carnaval também é isso: encantamento, transformação, consciência.
Que nosso carnaval siga sendo essa potência criativa — mas também um espaço de escuta, aprendizado e propósito.
Até a próxima folia (e coluna)!