Em um mundo onde a câmera está sempre ligada, a beleza virou palco. Mas… quem é que escreve o roteiro? As revistas, os influenciadores, as marcas ou a própria gente? A verdade é que, há muito tempo, o “belo” deixou de ser natural pra virar um produto e o pior, um produto caro.
Hoje, um simples scroll no Instagram já mostra corpos perfeitos, rostos milimetricamente simétricos e peles que parecem de vidro. O problema é que tudo isso cria uma sensação de que ser normal é errado. As pessoas começaram a achar que beleza vem com filtro, edição e retoque. Mas não é o contrário? A beleza real não deveria vir da autenticidade?
Os padrões mudam o tempo todo. O que ontem era bonito, hoje é ultrapassado. Já vimos a fase da magreza extrema, depois o auge das curvas exageradas, agora é a era do “natural fabricado”, onde tudo parece natural mas nada é. A ironia? Quem dita isso são grandes marcas, agências, cirurgiões e até aplicativos. A indústria descobriu como lucrar com a insegurança. E enquanto a gente tenta se encaixar, eles vendem a solução em forma de cosmético, procedimento ou filtro.
E é aí que mora o perigo porque quanto mais a gente busca se encaixar mais se afasta de quem realmente é. E isso vale pra todo mundo, não só pra quem trabalha com imagem. Até quem diz “não ligo pra aparência” sente o peso quando vê alguém perfeito na tela. É um padrão invisível que empurra todo mundo pra mesma direção: a comparação constante.
Mas o mundo está mudando cada vez mais pessoas estão dizendo “chega!” pra esse tipo de beleza engessada. Modelos com diferentes corpos, peles, cabelos e estilos estão ganhando espaço. Marcas que antes só mostravam um tipo de rosto agora sabem que a diversidade é o novo luxo. A internet, que criou o problema, também está ajudando a quebrar ele.
A beleza está voltando a ser o que sempre deveria ter sido: plural. Bonito não é o que segue regra é o que tem verdade. O charme está no detalhe, no sorriso torto, na cicatriz que conta história, no cabelo bagunçado que mostra movimento ser bonito é ser único!
Então, antes de se comparar, lembra disso: padrão nenhum aguenta o poder de alguém autêntico. Quem tem presença não precisa de aprovação.
No fim das contas, o novo padrão é simples: seja real, seja você, e o resto que lute.

Edição: Isabel Kurrle