Hoje em dia não basta estar no mesmo espaço, é necessário estar junto de verdade. É comum ver famílias reunidas na sala, ou em uma mesa até mesmo durante uma refeição cada um com os olhos grudados em uma tela. Pai, mãe, filhos… todos próximos fisicamente, mas longe do que realmente importa: a atenção e o afeto.
Muito se fala sobre o excesso de telas na vida das crianças e adolescentes. Os riscos já são conhecidos como problemas de sono, de aprendizado, de concentração.
Mas pouco se discute sobre outro efeito, tão sério quanto: quando são os pais que mergulham demais no celular, o que isso causa nos filhos? No núcleo familiar? Qual o exemplo passado pelos Pais?
Para uma criança, o olhar dos pais é um espelho. É nele que ela descobre se é amada, se importa, se tem valor. Quando no lugar desse olhar, encontra sempre um rosto distraído pela tela, a mensagem que fica é dolorosa: “eu não sou tão interessante assim”. Isso não acontece de uma vez só, mas na repetição de pequenas ausências que se acumulam no dia a dia.

Para uma criança, o olhar dos pais é um espelho. É nele que ela descobre se é amada, se importa, se tem valor.
Zanetti
Quem é pai ou mãe sabe como é fácil soltar um “espera um pouquinho”. O problema é quando esse pouquinho nunca chega. A criança aprende cedo que seu pedido pode esperar, que suas emoções não são prioridade. Isso vai moldando a forma como ela se vê e como se relaciona com o mundo.
O que realmente fica na memória
No futuro, seu filho não vai lembrar quantos e-mails você respondeu ou quantos grupos de WhatsApp precisavam de atenção. Ele vai lembrar se foi ouvido ou não, se você largou o celular para brincar, se riu junto. Essas são as memórias que constroem vínculos, não as horas gastas em frente à tela.
Ninguém precisa largar a tecnologia. O celular faz parte do trabalho, da vida social, da rotina. Mas é preciso colocar limites. O maior presente que podemos dar aos filhos não está em compras caras ou viagens planejadas e sim em minutos de presença real: conversar, olhar nos olhos, brincar sem pressa, deitarem abraçados para assistirem juntos algo que eles gostem.

A tela aproxima quem está longe mas afasta quem está perto. No fim das contas, o que vai importar são os abraços, as histórias contadas, as risadas em família. Nada disso se encontra dentro de uma notificação mas dentro de um olhar atento e um abraço carinhoso.
Edição: Isabel Kurrle