As aclamadas semanas de moda, onde estilistas e grandes marcas apresentam suas novidades, acontecem duas vezes por ano. E acaba de rolar o circuito do “Big Four” Nova York, Londres, Milão e a tão aguardada Paris que apresentou as coleções de Verão 2026.
Esta temporada foi marcada não apenas pelas roupas mas por uma grande “troca de cadeiras” dos diretores criativos, que levaram seu DNA para novas casas e revolucionaram o que vimos nas passarelas. Aqui está um panorama do que foi apresentado.
O Circuito das Quatro Capitais
A New York Fashion Week manteve sua pegada comercial, com coleções de grandes marcas, mas sem gerar o mesmo burburinho de outrora. É Nova York sendo Nova York: tem mais status histórico do que relevância criativa atual no cenário das quatro capitais.
Deixando a América, o circuito europeu começa em Londres. Para ser franco, a semana londrina passa batida e respira por aparelhos. Sua relevância atual praticamente se resume à Burberry.
É em Milão que as coisas realmente esquentam para a mídia especializada. A semana de moda da cidade gera grande repercussão, graças a marcas renomadas como Gucci, Prada, Ferragamo e Fendi.
E, é claro, tudo culmina em Paris, o palco principal e mais aguardado de todos.
O Que as Maiores Marcas Apresentaram
Esta temporada foi definida pelas mudanças de criativos. A grande revolução veio de dois nomes:
Na Gucci, Demna (vindo da Balenciaga com fama de rebelde) estremeceu as estruturas. Ele não fez um desfile tradicional mas a première de um filme estrelado por Demi Moore (disponível no YouTube). O tapete vermelho do evento era, na verdade, “apenas” celebridades vestindo suas criações, tornando-as a própria passarela.
Já a Balenciaga, agora nas mãos de Pierpaolo Piccioli (ex-Valentino), surpreendeu. Seu desfile retirou a rebeldia característica da marca para dar lugar a um amadurecimento visual. Ele nos trouxe couro, muitos vestidos fluidos, camisas brancas imaculadas e saias longas. Em uma palavra: elegância.

Outros destaques das passarelas:
- Ferragamo: Apresentou um olhar refinado, com cortes precisos como uma “risca de giz”.
- Prada: Trouxe muitos macacões em sarja, saias e um visual que remetia à arte contemporânea.
- Dolce & Gabbana: Apostou em pijamas de renda e uma sensualidade sexy sem ser vulgar.
- Schiaparelli: Apresentou vestidos exagerados em babados e tecidos, com um ar muito vitoriano.
- Dior: Especialistas notam que a marca parece ter renascido, com um visual muito mais jovem. O grande destaque foi a tendência das saias jeans, com a coleção focada em denim e couro.
- Celine: Manteve seu visual jovem e chique, com muitos casacos longos e saias longas.
- Valentino: Trouxe uma coleção segura, baseada na junção de cores, mas sem grandes inovações.
- Miu Miu: A aposta no workwear (roupa de trabalho) foi tão excessiva que, para muitos, sugeriu uma volta antiquada da mulher ao lar. A proposta não foi bem recebida.
- Chanel: Apresentou um refresh bem-vindo, com mais atrativos jovens, renovando uma marca que andava meio apagada.


A Tendência que Veio para Ficar
Vimos muito dos anos 90 voltando com força: o excesso de jeans, o toque gótico e os macacões são provas disso mas a verdadeira inovação veio com os criadores que trocaram de marca e deram uma guinada radical em suas novas casas, sendo super bem recebidos pela crítica.
Foi uma temporada de reinvenção, não apenas das roupas mas das próprias grifes.

Edição: Isabel Kurrle.