Silêncio: o que ele revela quando a gente para de preencher tudo com barulho

PUBLICIDADE

A gente tem medo do silêncio. Tanto que preenche tudo: com música, com notificação, com conversa fiada, com vídeos rolando no fundo. Silêncio virou ausência incômoda, espaço vazio que precisa ser tapado. Mas e se a gente ouvisse o que mora nesse silêncio, em vez de correr pra abafá-lo?

O barulho que a gente cria, às vezes, não é só externo. É mental. É aquela sequência interminável de pensamentos, cobranças, simulações do que ainda nem aconteceu. E quando o som para, tudo isso parece ficar mais alto. Talvez por isso o silêncio assuste, porque ele obriga a escutar o que já estava ali dentro.

Mas o silêncio não é vilão. Ele é espelho. Ele revela. Mostra a fadiga que a gente vinha ignorando, a tristeza que estava sendo empurrada, o desejo que ficou escondido na pressa. Silenciar é, muitas vezes, deixar vir à tona o que estava abafado. É permitir que o corpo e a mente respirem sem filtro.

Tem coisa que só se entende no silêncio. Tem decisão que só chega quando a gente para de pedir opinião pra fora e começa a ouvir o que vem de dentro. O silêncio afina a intuição, amplia a escuta e, principalmente, traz de volta a conexão que a gente perde quando vive em ruído constante.

Ficar em silêncio é um exercício. Não é confortável no começo. Parece perda de tempo, parece improdutivo. Mas, aos poucos, a gente percebe que é ali que mora o alívio. O espaço que antes era só ausência vira presença. Presença da gente com a gente mesmo.

Porque no fim, o silêncio não é o contrário de barulho, é o contrário de distração. E escutar o que vem quando tudo cala pode ser o início de muita coisa que a gente vinha adiando: um recomeço, uma resposta, ou só um respiro. E isso já basta.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Veja Também

Rolar para cima