Tempo

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Para algumas pessoas, ele passa rápido demais. Para outras, parece que nunca anda. Mas o tempo, enquanto cronologia, só registra uma coisa: há quanto tempo estamos vivos. E isso, convenhamos, não quer dizer muita coisa.

Porque existir não é a mesma coisa que evoluir.
O tempo pode passar… e a pessoa continuar exatamente igual. Sem aprender, sem mudar, sem crescer. Como aquele corte de cabelo que não assenta nunca ,passa mês, entra mês, e ele continua estranho (sim, tem coisa que nem o tempo resolve sozinho).

A verdade é que tudo no tempo envolve escolha.
Tem escolhas que ajudam a gente a evoluir e quando olhamos pra trás, dá até um certo orgulho.
E tem escolhas que… bem, essas a gente ainda está “em processo de acabamento”.
Talvez o grande desejo humano seja esse: uma espécie de autolapidação.

Lapidar pensamentos, atitudes, relações.
Aprender a observar mais: tanto os outros quanto a si mesmo (o que, vamos combinar, às vezes dá um trabalhinho danado).
E chega um momento em que a pergunta muda.

A gente para de pensar só no agora e começa a pensar no que vai deixar. Ou no que já deixou.
E não… não estou falando de bens materiais.
Estou falando de bens simbólicos.
Esses são os mais caros, justamente porque não têm preço.
Você não compra e às vezes, nem consegue acesso, porque quem cria simplesmente não quer vender.
Pensa assim:
tem gente que compõe músicas incríveis, mas nem todo cantor chega até esses compositores.

Tem gente que constrói casas maravilhosas, mas nem todo mundo encontra quem consiga traduzir exatamente o que está na sua cabeça.
Ou seja, não é só sobre ter. É a sensibilidade.
E o tempo entra nisso como o bem mais valioso de todos.

As pessoas dizem: “tempo é dinheiro”.
Não. Não é!
Dinheiro a gente ganha, perde, recupera… às vezes até herda sem esforço nenhum.
O tempo não. Ele é democrático até demais, o mesmo para todo mundo.

Aliás, ele é tão valioso que, quando a saúde falha, muita gente trocaria todo o dinheiro que tem por mais tempo.

Foto crédito: Freepik

O curioso é que, muitas vezes, a pessoa ficou doente justamente porque passou tempo demais correndo atrás de dinheiro.
(Ironicamente eficiente, né?)
Vivemos num mundo onde o capital virou quase uma religião.
E, nessa correria, muita gente constrói a vida baseada no ter… e esquece completamente do ser.

Mas nem todo mundo.
Existem pessoas que são milionárias de coisas que o dinheiro nunca vai comprar.
Coisas simples, mas absurdamente valiosas:
observar os pássaros cantando,
olhar as estrelas,
conversar com plantas (mesmo sem resposta ou com, dependendo do dia),
escrever poesia,
tomar um café com a mãe,
acompanhar alguém que se ama,
fazer carinho no cachorro,
ajudar uma vizinha a abrir a porta do carro,
contar uma piada só pra ver alguém sorrir.

Pequenas coisas… que, no fim das contas, são gigantes.
E se o tempo fosse um senhor, daqueles bem observadores,
eu tenho quase certeza de que ele não ficaria impressionado com o quanto a gente trabalhou, nem com o quanto a gente acumulou.
Mas talvez…
ele abrisse um sorriso discreto
toda vez que a gente parasse só pra contar uma piada.

Edição e revisão: Isabel Kurrle

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