Cláudia Sá e a coragem de transformar por dentro e por fora

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Tem encontros na vida que não chegam fazendo barulho, eles acontecem como quem planta uma semente e quando a gente percebe, já floresceu por dentro. Conhecer Cláudia Sá foi assim.

Cláudia não é só a idealizadora da Feira Bem Vestida, ela é movimento, é dessas mulheres que decidiram não permanecer onde a vida parecia confortável mas limitada. Uma libriana inquieta, mãe solo, que construiu com as próprias mãos e com muita coragem um caminho que hoje inspira centenas de outras pessoas.

Mas o que mais me atravessa na história da Cláudia não está apenas nos números, no crescimento da feira ou no reconhecimento que ela conquistou no Rio Grande do Sul.

Está naquilo que não se mede: na capacidade de transformar dor em força, timidez em presença e desafios em propósito.

Eu tive o privilégio de cruzar o caminho da Cláudia em um lugar de troca compartilhando um pouco do meu conhecimento através do curso de Neuromoda e Costura Criativa mas, honestamente, saí muito mais preenchida do que qualquer outra coisa.

Porque quando alguém se permite ser visto de verdade, a gente não aprende só sobre moda, aprendemos sobre vida.

Foto: Cláudia Sá – Crédito: Acervo Pessoal

E talvez um dos aspectos mais bonitos da sua trajetória seja algo simples mas profundamente revolucionário: ela aprendeu a gostar da própria companhia. A viver a vida sem precisar esperar por alguém, ocupar espaços sozinha, restaurantes, viagens, trilhas e ainda assim se sentir completa.

Confesso que isso me atravessou.

Talvez porque grande parte dos nossos desafios e eu me incluo nisso, seja justamente aprender a se bastar, a ser companhia de si mesma. E a Cláudia me trouxe isso de uma forma muito viva, muito possível.

E é impossível falar dela sem falar da Feira Bem Vestida.

O que começou como uma alternativa de renda extra nasceu com um propósito claro: conectar pessoas, valorizar o trabalho dos brechós e mudar a percepção sobre o consumo de roupas usadas. Sem grandes pretensões no início mas com muita verdade.

Com o tempo, o que era uma ideia virou movimento.

Hoje a Feira Bem Vestida é reconhecida como a maior feira de brechós do Rio Grande do Sul.

Foto crédito: Acervo Pessoal

Mas mais do que isso, ela se tornou um espaço de transformação. Um lugar onde a moda circula junto com histórias, onde o consumo ganha consciência e onde o que já existe passa a ser visto com novos olhos.

Quem chega à feira entende.

Existe curadoria, existe cuidado, existe intenção.

E existe também uma comunidade as “Feiretes” , apelido carinhoso das suas clientes, pessoas que não estão ali apenas para comprar mas para fazer parte de algo maior.

Na sua 23ª edição que acontece no dia 09 de maio, na Fenac em Novo Hamburgo, a Feira Bem Vestida reforça ainda mais esse posicionamento ao se consolidar como um evento Lixo Zero.

E isso não é discurso.

É prática, escolha, é responsabilidade.

Desde a seleção dos expositores até o destino dos resíduos, tudo é pensado para reduzir impactos, incentivar novos hábitos e mostrar que é possível fazer diferente.

Em um cenário onde a indústria da moda ainda é uma das que mais impactam o meio ambiente, iniciativas como essa não são apenas importantes são urgentes.

Serão mais de 90 brechós reunidos, cerca de 50 mil peças disponíveis para garimpo, além de expositores de economia criativa, produtos sustentáveis e uma estrutura preparada para receber o público com conforto e experiência.

Mas no fim não é só sobre números.

É sobre escolha.

Escolher consumir diferente, apoiar pequenos empreendedores, escolher olhar para a moda com mais consciência.

E eu estarei lá.

Expondo, prestigiando, trocando e vivendo de perto tudo aquilo em que acredito enquanto criadora: uma moda que ressignifica que reaproveita, emociona e também pode transformar.

Se permita viver essa experiência.

Porque às vezes o que a gente encontra em um garimpo… não é só uma peça.

É um novo jeito de se ver no mundo.

ENTREVISTA — Cláudia Sá

A Feira Bem Vestida nasceu como uma alternativa de renda extra. Em que momento você percebeu que aquilo poderia se transformar no maior evento de brechós do estado?

No início, eu não tinha essa projeção, nem a intenção de me tornar a maior feira de brechós do Rio Grande do Sul. Meu objetivo era criar um evento que conectasse o público aos empreendedores, dando visibilidade e valorizando esse trabalho.

Com o crescimento e o pedido constante por novas edições, percebi que havia ali mais do que uma ideia: existia uma grande oportunidade de expansão e fortalecimento desse movimento.

Sua trajetória é marcada por superação, inclusive da timidez. Como foi esse processo de assumir o protagonismo?

Foi a necessidade de assumir de fato o meu papel à frente do meu negócio.Quando percebi que o que eu transmitia impactava positivamente a vida das pessoas, entendi que também havia me tornado uma referência para outras mulheres.

Principalmente para mães solo que viam na minha trajetória um exemplo. Aos 40 anos, pedi demissão de um trabalho estável para me reinventar, com coragem e confiança a timidez ficou para trás.

A feira vai muito além da venda de roupas. Que transformação você queria provocar e o que vê hoje no público?

A Feira Bem Vestida foi criada para mudar a percepção sobre os brechós. Mostrar que eles são negócios estruturados, em crescimento.

Hoje quando o público chega, o impacto é imediato: organização, curadoria, experiência. Isso muda completamente a visão que as pessoas tinham. E hoje nossas clientes têm nome: as Feiretes, pessoas que valorizam e apoiam a moda circular.

Nesta edição, a FBV se consolida como um evento Lixo Zero. Como isso funciona na prática?

A feira promove um novo jeito de consumir e realizar eventos com responsabilidade ambiental.

Buscamos minimizar resíduos, incentivar reciclagem, reutilização e descarte correto. Também fortalecemos empreendedores que trabalham com propósito. Ser Lixo Zero é entender que tudo pode ter um novo ciclo e essa é a essência da feira.

Por que vale a pena visitar a Feira Bem Vestida no dia 09 de maio?

Porque é o paraíso dos brechós para quem ama moda circular. Você encontra dezenas de marcas em um só lugar, inclusive aquelas que conhece apenas online.

É a oportunidade de conhecer os empreendedores, acessar uma grande variedade de estilos e viver uma experiência completa.

Preparamos uma feira para todos os públicos, com brechós, economia criativa e uma área de alimentação especial.

SERVIÇO

23ª Feira Bem Vestida
09 de maio de 2026 (sábado)
10h às 20h
Fenac – Pavilhão 2 | Novo Hamburgo
Ingresso gratuito (retirada antecipada)
Entrada solidária: 1kg de alimento não perecível

Edição e revisão: Isabel Kurrle

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