Toda cidade tem um banco de praça que já ouviu mais do que qualquer confidente. Ali, casais se conheceram, amizades nasceram, despedidas aconteceram. É curioso pensar que um objeto tão simples pode carregar tanta vida sem nunca se mover do lugar.
O banco é testemunha da rotina: vê o vendedor que sempre passa no mesmo horário, a senhora que leva o neto para brincar, o estudante que aproveita o sol para ler. E, mesmo sem falar, é como se guardasse em si o mosaico das pequenas histórias urbanas.
Ao mesmo tempo, o banco também é pausa. Num mundo de correria, ele convida a sentar, respirar, observar. Não exige ingresso, não pede nada em troca: está lá, disponível para quem precisa de cinco minutos de descanso ou de um olhar para o movimento ao redor.
E há algo de poético nisso. No banco de praça, não importa a origem, a classe social, o estilo de vida. Todos cabem ali. Ele é democrático, acessível, quase invisível — mas cheio de significado.

Talvez seja por isso que, quando lembramos de uma cidade, muitas vezes recordamos não só dos monumentos, mas daquele banco específico em que passamos uma tarde qualquer. Porque ele não é só madeira ou ferro: é parte da memória coletiva e íntima ao mesmo tempo.