O ator Cássio Nascimento tem traçado uma carreira sólida, intensa e corajosa. Canoense de origem, já brilhou em diferentes palcos e telas: viveu Nando na série Submersos, um ex-campeão mundial de surfe envolvido com o tráfico internacional; recentemente filmou o longa “Nós, Que Nos Queremos Tão Pouco”, de Lisiane Cohen, contracenando com Júlia Lemmertz, Fernanda Carvalho Leite e Rui Rezende; e foi o Soldado na montagem de A História do Soldado dirigida pelo Zé Adão, apresentada pela Ospa em Porto Alegre, obra que une música, teatro e dança em um clássico de Stravinsky.

Agora, Cássio dá um passo ainda maior: estreia como diretor no LABRAFF – Los Angeles Brazilian Film Festival 2025, com o curta “Chorume”. Um filme que mergulha nas marcas profundas deixadas pelo abuso infantil, trazendo à tona a dor silenciada e os traumas que se estendem pela vida adulta. É uma obra necessária, polêmica e de enorme coragem.
Falar do Cássio, para mim, é falar também da minha própria história. Somos amigos há 30 anos. Crescemos no mesmo bairro, fomos morar quase juntos no Rio de Janeiro, onde dividimos mais de uma década de sonhos, palcos, conquistas e tropeços. Tivemos filhos na mesma época, e somos compadres duas vezes: ele é padrinho do meu filho Martin, eu sou madrinha da sua filha Clara. Não é exagero dizer que somos família. E escrever sobre ele é como abrir uma caixa de memórias, são muitas camadas de vida entrelaçadas pela amizade, pela arte e pelo afeto.
Alegria é a palavra que melhor define o Cássio. Ele é intesidade, riso, casa cheia. Marido da Cristina e pai cuidadoso da Clara, constrói sua trajetória equilibrando talento e presença, trabalho e amor.
“Chorume” também foi um reencontro comigo mesma. Foi o convite do Cássio que me trouxe de volta ao mercado como figurinista, depois da pausa da maternidade. Voltar a vestir personagens, costurar sentidos e traduzir emoções em tecidos foi uma honra e um renascimento. Trabalhar nesse filme me lembrou porque escolhi a arte como caminho e como linguagem.
E é nesse espírito que olho também para o que acontecerá em Canoas. De 25 à 28 de setembro, a cidade receberá o Festival de Cinema de Canoas, reunindo produções gaúchas, nacionais e internacionais em mostras gratuitas, oficinas e debates. Um evento que se firma como espaço de novos olhares e narrativas e que, de certa forma, prepara terreno para que nomes como o do Cássio floresçam cada vez mais.

Confira a programação:
Talvez essa seja a maior beleza do cinema e da amizade: ele não apenas nos mostra histórias, mas também nos devolve a nós mesmos.
