Do Potencial ao Negócio: Como Transformar a Identidade Regional em Ecossistemas de Alto Impacto

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Quando pensamos em ecossistemas de inovação, o imaginário popular costuma nos transportar imediatamente para grandes centros tecnológicos e startups unicórnio.

No entanto, o ELI Summit 2026, realizado nos dias 12 e 13 de agosto na cidade de Ijuí, trouxe uma provocação urgente e necessária: o verdadeiro desenvolvimento sustentável e de alto impacto econômico nasce quando olhamos para dentro, reconhecendo e potencializando as vocações reais de cada território.

O Centro da Estratégia: Empresas Estabelecidas, Identidade Local e o Papel do Sebrae RS

Para que a inovação gere valor real que permaneça na região, é preciso ampliar o escopo e colocar as empresas estabelecidas, as cadeias produtivas locais e a identidade cultural no centro da estratégia.

• Valorizar o que já existe: Inovar nem sempre significa começar do zero. Exemplos de sucesso, como a revolução dos queijos artesanais no Sudoeste do Paraná, demonstram que produtos, histórias, saberes tradicionais e vocações locais ganham nova competitividade quando lapidados com qualificação e tecnologia.

• Conexão sistêmica: O desenvolvimento territorial exige a aproximação sinérgica entre quem produz conhecimento (universidades e centros de pesquisa) e quem empreende (empresas e poder público).

• Escuta e respeito às comunidades: Iniciativas em regiões tradicionais e periféricas reforçam que o impacto genuíno começa pela escuta ativa. Soluções aplicadas, como a profissionalização da extração de óleo de copaíba na Amazônia, provam que unir conhecimento ancestral e ciência gera valor real e sustentável.

A concretização de toda essa jornada de desenvolvimento e o fortalecimento do ecossistema local contaram com a idealização e o patrocínio integral do Sebrae RS.

O sucesso e a capilaridade desse trabalho refletem a atuação técnica e o acompanhamento próximo de consultoras fundamentais para a viabilização das entregas e missões práticas do evento: Ananda Faccin, Franciele Graff e Glaciélia Bobrzyk, cujo acompanhamento técnico foi essencial para viabilizar cada etapa do projeto.Foto consultoras

Foto: Ananda e Franciele

O Capital Humano como Estratégia e o Protagonismo das Pessoas

O desenvolvimento de talentos deixou de ser apenas uma pauta secundária de Recursos Humanos e consolidou-se como uma estratégia central de competitividade e inovação nos ecossistemas produtivos.

Durante os debates do summit, destacou-se que formar profissionais é uma responsabilidade compartilhada entre corporações, instituições de ensino e os próprios talentos.

As empresas precisam assumir um papel ativo na aproximação com a academia, criando pontes e soluções conjuntas para preparar o mercado para os desafios do futuro.Investir no desenvolvimento humano tornou-se também o principal antídoto contra a alta rotatividade de mão de obra e a escassez de talentos.

Como apontado nas discussões, nem sempre o profissional chega pronto ao ambiente corporativo, cabendo à liderança e à organização criar as condições necessárias para a evolução de competências técnicas e comportamentais.

Mais do que buscar apenas habilidades operacionais, é preciso compreender os comportamentos, os interesses e o potencial intrínseco de cada pessoa, aflorando a potência que cada colaborador carrega consigo.

Aprendizados Práticos: Visita Técnica e Inovação Industrial

A programação do ELI Summit incluiu missões práticas fundamentais para ilustrar a teoria dos ecossistemas na matriz industrial gaúcha.

A visita técnica à Bruning Tecnometal, realizada em Panambi e conduzida com o acompanhamento da consultora Aline Guarda, permitiu observar de perto o funcionamento de um complexo industrial de 135 mil metros quadrados que atende a gigantes globais dos setores agrícola, automotivo, rodoviário e de construção.

Na estrutura de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da companhia, destacaram-se iniciativas como o Banco de Ideias que valida sugestões tanto do quadro interno quanto de fontes externas e a maturidade em utilizar dissertações e teses acadêmicas de colaboradores para fundamentar projetos industriais de longo prazo.

Essa conexão direta entre o rigor técnico, a eficiência de processos e o aproveitamento do capital intelectual reforça como o ecossistema regional ganha robustez quando unifica teoria acadêmica e chão de fábrica.

Governança, Cooperação Internacional e o Papel do Setor Público

Construir territórios que inovam exige governança engajada, visão de longo prazo e descentralização de saberes. Discussões sobre ecossistemas na América Latina reforçaram que ninguém precisa fazer tudo sozinho: a confiança mútua e o respeito às particularidades culturais são pré-requisitos para transpor fronteiras e gerar parcerias duradouras.

No âmbito do poder público, experiências de municípios como Recife e Porto Alegre demonstraram a eficácia do uso de compras públicas de inovação e de sandboxes regulatórios, a exemplo do Living Lab.

Ao estruturar metodologias de design de problemas antes de buscar soluções prontas, as prefeituras conseguem atuar como compradoras e indutoras de negócios inovadores, resolvendo gargalos reais da sociedade como filas na saúde pública e mobilidade urbana e impulsionando a economia local por meio da inovação aberta.

Princípios para Fortalecer Ecossistemas Locais

Os debates do summit consolidaram pilares fundamentais para transformar potenciais regionais em negócios de alto impacto:

• Governança engajada: Contar com pessoas que possuem disponibilidade e interesse real em contribuir, indo além de meras representações institucionais.

• Comunicação acessível: Traduzir termos técnicos e desmistificar conceitos complexos para aproximar a comunidade, as pessoas e os pequenos empreendedores das oportunidades de inovação.

• Visão de longoprazo: Construir legados para as próximas gerações, entendendo que o desenvolvimento regional exige paciência, confiança, capital paciente e convergência de interesses entre todos os atores da quádrupla hélice.

Acredito profundamente na potência resultante da convergência entre pessoas, negócios e territórios. O ELI Summit 2026 não foi apenas um evento, mas um catalisador de transformações reais.

Foram dois dias de intensa expansão e conexões valiosas, o encontro foi verdadeiramente, incrível e uma prova de que quando unimos propósito e estratégia, somos capazes de redefinir o futuro da nossa região.

Texto: Edna Machado

Fotos crédito: Arquivo pessoal

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