Com quase vinte anos de trajetória na música, Dudu Cardoso é reconhecido tanto por seus préstimos como guitarrista como por sua destacada carreira como cantor e compositor.
Como guitarrista, traz na bagagem centenas de shows ao lado de artistas de renome nacional e internacional como a Luka – Tô nem aí (e eu também não), Nego Joe, Vinny Lacerda, Paulo Dionísio, Neto e Júnior e agora com a Chimarruts.
Como cantor e compositor, possui diversas músicas e videoclipes lançados nas plataformas digitais e em emissoras como Music Box Brasil, Canal BIS e Play TV. Dudu também é presença marcante cantando covers em barzinhos, pubs, casa de shows, festas privadas e onde ele for chamado. Seja na região metropolitana, interior Estado, em Santa Catarina (a Praia do Rosa que o diga) ou algum lugar deste Brasil continental, tu já deves ter visto o Dudu em algum lugar.
Recentemente o cantor lançou o álbum “Fazer a Festa”, contendo 6 faixas que está disponível nas principais plataformas.
O Dudu é incansável e tem um talento muito acima da média, na minha humilde opinião (ou nem tão humilde assim). Eu bati um papo com o cara pra saber um pouco mais do que se passa em uma mente tão brilhante escondida embaixo de dreadlocks gigantes.
Essencialle: Qual nome que está escrito na tua carteira de identidade?
Dudu: Carlos Eduardo Cardoso
Essencialle: Qual foi teu primeiro contato com música?
Dudu: O primeiro contato com a música foi na infância minha família. Minha mãe escutava música Black, Ed Motta, Tim Maia, Sandra de Sá. Meu pai escutava samba, samba enredo, Agepê. Já a minha irmã gostava daquelas bandas que apareciam na MTV e na revista BIZZ tipo Bon Jovi, Madonna. Foi assim que eu acabei gostando muito dessas paradas aí também. Mas ainda pequeno eu comecei a ouvir Guns N’ Roses e foi a primeira banda que eu fui fã.
Essencialle: Qual teu primeiro contato com um instrumento?
Dudu: Assim… tocando um som…? Cara, meu amigo de infância o Alan apareceu com um violão quando a gente tinha uns oito ou nove anos. A gente tocou uns “Parabéns à Você” e aquelas coisas de iniciantes. Com 12 anos a gente resolveu montar uma banda com os amigos e os guris conheceram o Everton Acosta – grande guitarrista de Canoas – e foram fazer aula com ele. Todo mundo da minha turma virou guitarrista e daí não tinha mais vaga na banda. Então decidi fazer minhas primeiras duas ou três aulas no contrabaixo mesmo. Mas eu vi que o que eu queria era tocar guitarra e assim eu preferi abrir mão da banda pra ficar com o instrumento.
Essencialle: Quando tu percebeste que tinhas uma carreira de músico?
Dudu: Bem, ali pelos 14 anos eu estava tocando numa banda de reggae chamada Jah Eras e nesta época eu percebi que eu já tinha um pouco mais de conteúdo musical do que a maioria da galera.
Depois fui tocar com a banda de reggae Down Babylon e também com banda de rock Papai José. Então o Luciano Roots me chamou pra tocar na Alma Roots. Volta e meia alguém me convidada para fazer um som e me chamavam para participar de shows e projetos. Quando me dei conta, percebi que tinha uma carreira de músico. Em seguida foram vários músicos de renome me chamando para shows importantes e eu também comecei a dar aulas de guitarra. Assim já se foram muitos anos vivendo da música.
Essencialle: Quais tuas principais influências?
Dudu: As principais influências … de hoje né, mano? Porque sabe que isso aí é uma coisa que pela vida foi mudando. Lá quando eu tinha 12 anos, minha principal influência era o Guns N’ Roses. Depois que conheci o Everton Acosta eu comecei a gostar dos guitarristas virtuosos como Steve Vai e Yngwie Malmsteen. Até eu cair no reggae music e passar a gostar de Bob Marley, Steel Pulse, Groundation e isso aí durou muito tempo da minha vida. Quando fui fazer os bailinhos eu comecei a tocar Tim Maia, Lulu Santos, Djavan e essas paradas eu passei a descobrir outras coisas. Hoje eu vejo que essa fase da minha vida acabou criando a minha principal influência, que é a música brasileira. Eu gosto de Seu Jorge, Ed Motta, Djavan, Jorge Ben e tô adorando muito dessa banda nova Os Garotin de São Gonçalo. Mas acho que o músico que eu mais admiro na minha vida inteira – mais do que o Bob Marley – é o Tom Jobim. Eu adoro a Bossa Nova. Acho f… pra c…! Musicalmente falando, por causa do Tom eu tenho muito orgulho de ser brasileiro.
Essencialle: Qual a tua composição favorita? e por quê?
Dudu: Difícil esta. Mas tem aquela que eu fiz para meu filhos que é “Esse amor”. Eu gosto muito dela porque no clipe tem imagens das minhas crianças. Mexe muito comigo ver eles ali pequenos naquela época e agora já vejo eles mais crescidos Mas tem a música “Luz de Jah” que foi a primeira que eu fiz. Eu fiz esta para minha mãe. Era uma época que minha mãe estava indo em igrejas evangélicas e pagando dízimos e aquelas paradas. Ela estava gastando uma grana que, as vezes, ela nem tinha. Pouca gente sabe, mas a letra, se prestar atenção, vai entender essa relação.

Essencialle: Qual foi o show mais marcante da tua carreira?
Dudu: É difícil pois tiveram muitos shows marcantes. Lembro do show com o Josh David Barret do The Wailers. Mas cara, olha como são as coisas… recentemente eu fiz um show bem intimista no Espaço 373 em Porto Alegre tocando ao lado de James MacWinney do Big Mountain, que é vocalista de uma das maiores bandas de reggae do Mundo. Eu já toquei com ele três vezes mas este final de semana foi muito especial. Também tem vários shows marcantes com a Chimarruts, onde toco muitas das músicas que eu ouvia no rádio antigamente. Lembro de ir pra casa e botar para ouvir a Chima em casa e hoje vejo muitas pessoas chorando na plateia e cantando essas mesmas músicas. É emocionante demais esses momentos.
Essencialle: Qual foi o pior show que tu já realizaste?
Dudu: Acho que nem foi o pior show mas lembro de um em que eu passei perrengue. Uma vez, de última hora o Paulo Dionísio do Produto Nacional me convidou para um show em Garopaba SC. Eu já fiz os melhores shows da minha vida com o professor Dionísio mas este era o meu primeiro ao lado dele. Eu tava na Praia do Rosa e ele me chamou na tarde para o show que era a noite e me mandou um repertório cheio de músicas. Bem, chegou na hora do show e o clima tava bem tenso e ainda tava rolando um clima estranho entre o Dionísio e o baterista e rolavam uns desentendimentos com o repertório e em relação ao andamento das músicas. Eu não consegui curtir nada do show No final, achei que o professor ia estar de cara comigo mas não. Já com o batera… – risos. Mas o bom é que eu segui dali tocando direto com ele, que até me levou para São Paulo para gravar o Estúdio Showlivre logo depois e também fazer o show de lançamento do álbum.
Essencialle: Qual tu achas que é o papel do artista na sociedade?
Dudu: Acho que o papel do músico é resgatar a sensibilidade das pessoas. É a gente conseguir ouvir um som e mudar o nosso dia. A música te levar para outro ambiente, quase como uma autoajuda. Poder colocar aquela música que tu gosta e mudar a tua perspectiva. Isso falando da minha área né? Mas pode ser vendo um quadro, participando de um grupo de dança é a transformação que a arte faz na vida das pessoas. As vezes a arte dá aquela energia que a gente precisa para fazer algo no dia a dia.

Essencialle: Qual leitura, dica de leitura, tu recomendarias para teus filhos?
Dudu: Eu não sou um cara de muita leitura, mas por incrível que pareça eu gosto muito de ler a Bíblia. Não sou católico nem religioso mas acho que é uma leitura onde tem muitas lições boas. Não sei se é verdade ou não o que está escrito ali, mas acho que ali tem muitas reflexões válidas então eu gosto de ler alguns trechos dela. Já para meus filhos eu gostaria que eles lessem “Harmonia e Improvisação” de Almir Chediak – risos. Este é um livro que me deu muita base e me ensinou muita coisa. Eu gostaria que eles fossem músicos, não necessariamente de profissão, mas queria que a música fizesse parte da vida deles.
Essencialle: Qual filme ou série tu assistirias mais de uma vez?
Dudu: Eu tenho um trauma de séries por causa do LOST. Eu vi todo LOST e chegou no final da série e eu achei uma m*** e pensei “que tempo perdido que foi esse troço!”. Mas eu vi uma série do Silvio Santos esses tempos que achei muito legal – O Rei da TV. Ela mostra o lado humano dele, de um cara com muitos defeitos mas com pensamento muito rápido, para as situações da vida e negócios. Ele se reinventava. Eu vi esta série duas vezes inclusive já.
Essencialle: Que mensagem tu gostarias de pichar num muro?
Dudu: Tenho frases marcantes na vida, mas como eu estou me prorrogando em todas as respostas eu deixo uma que me acompanha sempre, em cada dificuldade, perrengue ou em cada fria que me meto: “Sempre que há esperança existe uma saída” – Esperança, Produto Nacional.
Essencialle: O que é essencial pra ti?
Dudu: Essencial para mim são boas perspectivas! É ter boas perspectivas.
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Edição Essencialle: Isabel Kurrle