Não ao etarismo: A vida não tem data de validade

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Muitas pessoas cometem etarismo sem sequer conhecer o significado desta palavra. Este preconceito baseado na idade age como um câncer  em nossa sociedade, segregando e inferiorizando pessoas com base exclusivamente no critério cronológico. A própria ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece o etarismo como uma violação dos direitos humanos, alertando que ele “reduz oportunidades, prejudica a saúde e a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo mundo”.

Mas é crucial entendermos: nossa idade não nos define. Este artigo explora as facetas desse preconceito através das histórias da supermodelo dos anos 80, Paulina Porizkova e do queniano Kimani Maruge, mostrando que combater o etarismo é defender a dignidade humana em todas as fases da vida. O etarismo opera em duas frentes principais: a invisibilização pela estética e a exclusão por suposta incapacidade.

Invisibilização Estética

A primeira atinge especialmente as mulheres, como mostra a trajetória da ex-modelo Paulina Porizkova. Após ser celebrada como “supermodelo”  em sua juventude, ela experimentou a transição cruel para a “invisibilidade” imposta às mulheres após certa idade, sendo inclusive humilhada quando decidiu voltar a carreira há poucos anos. Em vez de aceitar passivamente esse destino, Porizkova tornou-se defensora do envelhecimento natural. Através de suas redes sociais, ela:

Foto: Paulina Porizkova, antes e agora.

Compartilha imagens sem filtros; critica abertamente a pressão estética; seu ativismo revela como o etarismo rouba autenticidade e confiança, tratando a idade avançada como defeito. Porém atualmente ela obteve um grande êxito sobre o preconceito, após 30 anos de ter sido o “rosto” da famosa marca de cosméticos Estée Lauder, neste ano fechou um contrato milionário para ser novamente “a embaixadora global da marca”, cuja parceria visa celebrar a beleza em todas as idades e tentar reverter o etarismo.

Foto: Paulina Porizkova nos anos 80.
Paulina Porizkova aos 60 anos.

Exclusão por Suposta Incapacidade

A segunda faceta é a limitação de oportunidades, baseada no preconceito de que pessoas mais velhas não podem aprender ou contribuir. É aqui que a história do ativista dos Direitos Humanos, Kimani Maruge (1920 – 2009) se torna poderosa refutação, tornou-se recordista mundial do Guinness como a pessoa mais velha a ingressar no ensino primário, matriculando-se em 2004 aos 84 anos. Motivado pelo anúncio de educação gratuita em seu país, enfrentou o preconceito para aprender a ler e escrever que era seu maior desejo na vida.

Foto: Kimani Maruge, na escola aprendendo com outros alunos.

Sua extraordinária jornada foi imortalizada no filme “Uma Lição de Vida”(2009), dirigido por Justin Chadwick. O longa-metragem, filmado em locações no Quênia, narra de forma comovente a batalha de Maruge por educação e dignidade ele não apenas tornou-se aluno exemplar – sendo eleito líder de classe – como discursou nas Nações Unidas em Nova York, defendendo o direito universal à educação. Sua vida prova incontestavelmente que o potencial humano não expira com a idade.

Foto: Filme verídico que conta a jornada de Kimani Maruge.

A ONU destaca que o etarismo viola múltiplos direitos humanos. Um relatório da Organização Mundial da Saúde revela que 50% da população mundial mantém atitudes etaristas impactando negativamente a saúde física e mental de idosos.

Infelizmente, em países como o Brasil, o etarismo permanece presente e violento. Pesquisas mostram que 68% dos brasileiros acima de 60 anos relatam já ter sofrido discriminação por idade.

Os exemplos de Paulina Porizkova e Kimani Maruge convergem para uma mesma verdade: o etarismo é uma construção social perversa que precisa ser extinta, o tempo irá passar de qualquer jeito, para todos, então que este tempo seja proveitoso,digno e respeitado por si mesmo e pela sociedade.

A ONU enfatiza que combater o etarismo não é apenas uma questão moral, mas uma obrigação legal sob o direito internacional de direitos humanos.Combater o etarismo exige mudança de mentalidade coletiva. Significa celebrar rugas como mapas de vidas vividas, valorizar sabedoria da experiência e garantir que oportunidades estejam disponíveis para todos, independentemente da idade. A sociedade que aprende a honrar e integrar todas suas gerações é uma sociedade mais rica, mais justa e verdadeiramente humana. Porque nossa idade não nos define – nossas ações, sonhos e humanidade sim.

REFERÊNCIAS:

UNITED NATIONS. Ageism: A Threat to Human Rights. Nova York: UN Publications, 2021.

PORIZKOVA, P. No Filter: The Good, the Bad, and the Beautiful. Nova York: Penguin Random House, 2022.

GUINNESS WORLD RECORDS. Oldest Primary School Student. Londres: Guinness World Records Ltd, 2004.

CHADWICK, J. (Diretor). The First Grader [Filme]. BBC Films, 2010. [No Brasil: “Uma Lição de Vida”]

UNESCO. Education for All Global Monitoring Report. Paris: UNESCO publishing, 2005.

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