Rock, memórias e reinvenção: uma conversa com Kiko Prata, um dos maiores nomes da música de Canoas

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Música, paixão e a essência de ser artista.

Carismático, talentoso e inquieto, Kiko Prata construiu sua trajetória entre grandes palcos, noites de bar e a eterna busca pela reinvenção. Da lendária banda Mandala ao projeto solo com Os Reluzentes, o músico canoense segue conquistando público e crítica com sua voz marcante, composições intensas e presença de palco contagiante. Nesta entrevista exclusiva, Kiko abre o coração para falar sobre memórias, influências, desafios e o verdadeiro papel da arte em sua vida.

Kiko é referência entre músicos da velha guarda gaúcha e fonte de inspiração para os jovens da nova safra. Muito disso se dá por sua capacidade de se reinventar constantemente e ao se dividir entre as atividades de músico da noite, compositor, professor de canto e produtor de eventos.

O cara já realizou centenas de shows memoráveis em eventos como o Planeta Atlântida e também em casas consagradas como Bar Opinião, Pepsi On Stage, Araújo Viana, entre muitas outras.

Nos últimos anos, o artista iniciou sua carreira solo com o projeto Kiko Prata e Os Reluzentes, emplacando composições em playlists de diversas plataformas de streaming, além de invadir as rádios de todo o país com hits de sucesso. Kiko Prata e Os Reluzentes chegaram a figurar por vários meses entre as dez músicas mais ouvidas do segmento rock no Brasil.

Aqui você confere um pouco de como foi a nossa entrevista descontraída

1. Qual nome está escrito no teu RG?

Cristiano Silva de Souza.

2. Por que tu escolheste este nome artístico?

Kiko sempre foi meu apelido desde pequeno, minha vó me chamava assim. O “Prata” eu criei em um dia qualquer, numa tarde qualquer, na adolescência.

3. Qual foi teu primeiro contato com a música?

Veio desde pequeno. Eu escutava muita música com minha vó, meu tio e meus pais. Minha mãe ouvia de tudo, principalmente música popular. Meu pai já curtia um rock. Lembro que a gente era muito musical e lá em casa tinha uma caixa de som com microfone e eu passava o dia brincando com aquilo. Uma vez, eu devia ter uns 4 anos, eu cantei uma música da Nikka Costa em uma churrascaria em Porto Alegre (risos). Eu comecei a estudar violão e canto aos seis anos de idade, com a professora Delfina Ferrari, que morava em frente à minha casa. Aos 8 anos eu já me apresentava em grupo com outras crianças, em alguns lugares.

4. Quando tu percebeste que tinha uma carreira como músico?

Bem, aos 18 anos eu comecei a dar aulas de música e as vezes eu tocava em bares.  Eu estudava Psicologia na época e conciliava as duas coisas, mas já me sustentava tocando e dando aulas.

5. Quais são tuas principais influências?

Ah são as bandas dos anos 90, tipo Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains, Nirvana. Também as dos anos 60 e 70, como o Rolling Stones, Beatles, Led Zeppelin e tudo que for um rock bem feito.

6. Qual é tua música favorita da vida? e por quê?

Difícil escolher uma só, mas acho que Black, do Pearl Jam, é a mais f***. Pela letra, pelo sentimento. O jeito que o Eddie Vedder canta, visceral. Black é uma música que atravessa gerações.

7. Qual é tua composição favorita? e por quê?

Acho que é Se Não For Assim, da Mandala. A banda pensou junto toda essa composição, as melodias e os arranjos. Essa música abriu muitas portas pra banda e fez a gente aparecer e tocar em muitos lugares.

Foto crédito: Divulgação

8. Qual foi o show mais marcante da tua carreira?

Tem vários… Mas acho que foi o primeiro show que fiz com a Mandala no Bar Opinião, em Porto Alegre, junto com o Serginho Moah (Papas da Língua). Foi muito bom porque conseguimos levar muita gente e deu uma boa repercussão para a banda. Estávamos naquela expectativa da banda “estourar” e tal. Mas recentemente, teve um show meu com Kiko Prata e Os Reluzentes no ParkShopping Canoas, junto com o Armandinho. Esse foi muito massa também.

9. Qual foi o pior show que tu já realizaste?

Eu lembro de um em Canoas, acho que na Festa do Trabalhador no Parque Eduardo Gomes. Eu estava muito mal da voz, com laringite, e havia grande expectativa. Um empresário iria assistir à banda e eu não sei de onde eu tirei que conseguia cantar. Achei que ia dar conta, mas não fui bem na performance (risos). Teve também quando a Mandala abriu o show do Detonautas no Bar Opinião. O nosso show foi bom, mas o tratamento da produção foi péssimo, cheio de restrições e desrespeito.

10. Que leitura tu recomendarias para teus filhos?

Na adolescência eu lia muito, e na faculdade também, principalmente os livros teóricos. Eu recomendaria como leitura o Machado de Assis. Mas, se for algo mais específico, recomendaria livros de Filosofia e Psicologia.

11. Qual filme ou série tu assistirias mais de uma vez?

De Volta para o Futuro, Goonies, Rocky, Karatê Kid… Esses dos anos 80 me marcaram muito. Mas o De Volta para o Futuro I traz toda a essência da história. Série, eu gosto de Breaking Bad, que já repeti e acho muito boa.

12. Qual tu achas que é o papel do artista na sociedade?

Acho que não é só dar “pão e circo” ou ser um palhaço tipo Arlequim. É uma questão de saúde, saúde da alma, é fazer pensar. Vejo que muitos governantes querem boicotar nossa capacidade de refletir e criticar, porque quanto menos enfrentarem os artistas, melhor para eles. A própria inteligência artificial atende a esse propósito, pois faz a música que “eles” querem, o que acaba tirando dos artistas a influência sobre as pessoas.

13. Se tu pudesse ser um personagem ou outra pessoa, quem tu gostarias de ser? e por quê?

Eu queria ser o Marty McFly, para voltar no tempo e consertar as coisas (risos). Seria ótimo, com a experiência que tenho hoje, poder voltar e refazer tudo. Quem sabe um dia não inventam um jeito, né? Mas confesso que também gostaria de ser o Eddie Vedder ou o Mick Jagger, que passaram por tantas histórias de bandas e seguem há tanto tempo influenciando pessoas.

14. Que mensagem tu gostarias de pichar em um muro?

“É proibido pichar!” (risos).

15. O que é essencial pra ti?

Essencial pra mim é fazer o que se gosta, não só pela grana. É ter prazer em ajudar as pessoas e refletir coisas boas.

Como diz Bob Dylan: “É essencial fazer as coisas que nos fazem bem e que também fazem bem para outras pessoas”.

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KIKO PRATA

Edição: Isabel Kurrle.

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