Seu Filho Acorda Gritando Desesperado e Nada o Acalma?

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Pode não ser um pesadelo, entenda o que é o Terror Noturno

São duas horas da manhã, seu filho, que parecia dormir tranquilamente, senta na cama gritando desesperadamente. Os olhos estão abertos, ele parece em pânico, tenta sair da cama, se debate, agita os braços.

Você o abraça, conversa, tenta acalmá-lo… mas nada funciona, para muitos pais, esse é um dos momentos mais assustadores da infância.

A primeira impressão é de que a criança está vivendo um grande sofrimento emocional entretanto em muitos casos, trata-se de um terror noturno, um distúrbio do sono relativamente comum entre crianças de 3 a 8 anos.

O que é terror noturno?

O terror noturno faz parte dos chamados distúrbios do despertar do sono NREM (sono sem movimentos rápidos dos olhos), a fase do sono profundo. Nesse período, o organismo realiza importantes processos de recuperação física, libera o hormônio do crescimento e consolida parte das memórias.

É justamente durante esse sono profundo que costuma ocorrer o terror noturno.Durante esses episódios, o cérebro encontra-se em uma espécie de “meio do caminho” entre estar dormindo e estar acordado.

Uma maneira simples de entender é imaginar que o cérebro possui vários “interruptores”. Alguns já foram ligados, enquanto outros continuam desligados.

O corpo desperta parcialmente: a criança consegue sentar, levantar, abrir os olhos, falar algumas palavras e até caminhar. Porém as áreas responsáveis pela consciência, pela memória e pelo reconhecimento das pessoas ainda permanecem em sono profundo.Por isso, ela parece acordada mas na realidade, ainda não recuperou plenamente a consciência.

Não consegue compreender o que os pais dizem nem responder às tentativas de conforto.

Como reconhecer um episódio ?

É comum que a criança:

• acorde, ou pareça acordar, gritando intensamente;

• sente na cama ou levante assustada;

• apresente expressão de medo ou pânico;

• fique com os olhos abertos, mas sem reconhecer plenamente os pais;

• fale coisas desconexas ou não consiga falar;

• empurre quem tenta segurá-la;

• permaneça inconsolável, mesmo recebendo colo e carinho.

Os episódios costumam durar entre 10 e 40 minutos, podendo, ocasionalmente, ser um pouco mais longos.

No dia seguinte, a maioria das crianças não se lembra absolutamente de nada.

Por que abraço, conversa ou outras técnicas não funcionam

Essa é uma das maiores dúvidas dos pais embora pareça acordada, a criança continua parcialmente dormindo. O córtex cerebral, responsável pelo raciocínio, pela linguagem, pela compreensão e pelo reconhecimento das pessoas, ainda não retomou completamente seu funcionamento.

Por isso, naquele momento, ela não consegue processar explicações, sugestões, técnicas psicológicas ou qualquer tentativa de convencê-la de que está segura.Insistir para que ela “acorde” ou compreenda o que está acontecendo pode, inclusive, prolongar o episódio.Isso significa que não se trata de uma questão emocional voluntária, nem de falta de acolhimento dos pais.

É uma alteração temporária do funcionamento do cérebro durante o sono.

Diferenciando terror noturno de pesadelo

Embora pareçam semelhantes, são situações bastante diferentes.

No pesadelo:

• a criança desperta completamente;

• reconhece os pais;

• consegue contar o sonho;

• costuma se acalmar com colo, conversa e carinho.

No terror noturno:

• a criança parece acordada, mas continua parcialmente dormindo;

• não reconhece plenamente quem está ao seu lado;

• dificilmente responde às tentativas de conforto;

• geralmente não se lembra do episódio no dia seguinte.

Além do terror noturno existem outras possibilidades

Embora o terror noturno seja uma das causas mais frequentes, outras condições também devem ser consideradas.

Despertar confusional

Também ocorre durante o sono profundo, principalmente em crianças menores.

Pode causar:

• intensa desorientação;

• irritabilidade;

• choro prolongado;

• dificuldade para ser consolada.Crises epilépticas relacionadas ao sonoSão menos comuns, mas precisam ser investigadas quando há:

• movimentos repetitivos muito semelhantes em todos os episódios;

• rigidez importante do corpo;

• olhar fixo;

• abalos rítmicos;

• episódios muito breves e estereotipados;

• dificuldade importante para despertar após o episódio.

Outras situações que podem favorecer o terror noturno

• ansiedade;

• estresse;

• febre;

• privação de sono;

• excesso de cansaço;

• apneia do sono, condição em que a respiração para e recomeça várias vezes durante a noite, fragmentando o sono profundo;

• refluxo gastroesofágico;

• alguns medicamentos.

E qual é a melhor maneira de agir?

A melhor atitude é manter a calma.

Durante o episódio:

• proteja a criança para que ela não se machuque;

• permaneça por perto;

• fale pouco e em tom tranquilo;

• evite acender muitas luzes ou criar estímulos intensos;

• não tente acordá-la à força;

• aguarde o episódio terminar espontaneamente.

Depois que ela despertar completamente, trate-a normalmente, sem insistir para que conte o que aconteceu. Na maioria das vezes, ela realmente não terá qualquer lembrança.

Quando procurar ajuda médica?

É importante conversar com o pediatra, um neurologista infantil ou um especialista em medicina do sono quando:

• os episódios se tornam frequentes (várias vezes por semana);

• duram repetidamente mais de 30 a 40 minutos;

• surgem movimentos incomuns, rigidez importante ou abalos repetitivos;

• acontecem também durante o dia ou fora do sono;

• provocam lesões ou colocam a criança em risco;

• aparecem outros sintomas neurológicos ou atrasos no desenvolvimento;

Aos papais

Presenciar um episódio de terror noturno costuma ser muito mais assustador para quem está observando do que para a própria criança.

Na grande maioria dos casos, trata-se de uma condição benigna, que tende a diminuir à medida que o cérebro amadurece.

O mais importante é compreender que a criança não está fazendo isso de propósito, não está manipulando os pais e não consegue controlar o que acontece naquele momento.

Saber o que está acontecendo transforma o medo em tranquilidade e permite que os pais ofereçam exatamente o que a criança mais precisa: proteção, segurança e calma.

Quando houver dúvidas ou sinais de alerta, procure sempre orientação médica, existem profissionais que estudam para ajudar você em cada caso.

Texto: Michelle Pajak – Psicóloga CRP 07/16094/ Sócia-Diretora da ser Humano Desenvolvimento

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