“Um Filme de BR”, de Wender Zanon, é Convidado Especial no Festival de Cinema de Canoas 2025

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O diretor e produtor cultural Wender Zanon, lança seu novo longa  “Um Filme de BR, no  Festival de Cinema de Canoas 2025.

O Filme

“Um Filme de BR” é um longa de cunho etnográfico e sensível que eleva a BR-116, a maior rodovia do país, à categoria de personagem central e metáfora geográfica. O filme acompanha a incursão de quatro pesquisadores que ao percorrer a via do trecho canoense, empreendem uma investigação que transcende o aspecto físico da estrada para adentrar o domínio da experiência humana.

A BR-116, que corta dez estados brasileiros, manifesta-se em Canoas não como um mero corredor de passagem mas como uma força divisória, uma fratura urbana que segmenta a cidade em duas metades. Através de um meticuloso registro perceptivo, inspirado no cinema de Eduardo Coutinho, a obra capta os depoimentos de alguns indivíduos cujas biografias e existências estão indelevelmente vinculadas ao convívio com a rodovia.

A Competição

O filme encerra a trilogia sobre as transformações urbanas da cidade. A participação como convidado especial na competição de curtas do Festival de Cinema de Canoas, destaca o reconhecimento crítico do projeto e coroa a trilogia como uma contribuição significativa para o audiovisual gaúcho.

O lançamento ocorrerá no próximo dia 27 de setembro, sábado, às 17h, no Sesc Canoas e no dia 08 de outubro, quarta-feira, às 19h, no Cinema Capitólio, em Porto Alegre, ambos com entrada franca.

Foto Crédito: Jéssica Nakaema

Trailer do Filme

Entrevista com o Diretor Wender Zanon

Essencialle: O que levou você a escolher histórias ligadas à BR-116 e de que forma elas ajudam a revelar a identidade da região?

Wender: A BR é muito presente pra quem é da cidade e da região. Conecta estados, cidades e quando passa por Canoas divide a cidade. E Canoas é uma cidade de certa forma interrompida por essa divisão da BR e pela divisão do trem. São dois lados da cidade.
Para ir ao outro lado, você precisa atravessar pra lá. Acho que tem uma poética nisso.
Conexão, ligação, divisão, corte, fratura e aí a gente vai criando associações e fazendo essas passagens do macro para o micro e vice-versa.

Também seria diferente fazer um
documentário com uma delimitação geográfica por exemplo de um bairro, de uma rua, de uma quadra. Mesmo que sejam histórias de vida que são apresentadas na tela, são histórias que percorrem a BR, da Niterói até a São Luís. Essa presença da BR é sentida na cidade de uma forma ampla, não é um bairro que é afetado por ela, sabe?

São cerca de 10km da rodovia em Canoas e aí é um trajeto e tanto pra percorrer, conhecer a cidade, encontrar pessoas e histórias.

Essencialle: Ao criar essa trilogia, que tipo de reflexão ou conscientização você pretende provocar no público sobre os temas retratados?

Wender: Não sei se pretendo algo. Estou fazendo um filme por conta de uma vontade, de uma motivação, essa trajetória é um processo, assim como o filme é uma caminhada, o ato de produzir e trabalhar acredito que também seja uma “caminhada”, um percurso, uma
construção, o que conta é o processo.

No segundo filme da trilogia, o Ensaios sobre uma cidade, tinha uma questão que era tratar o avião da praça como o símbolo politico que ele é, representa e ao meu ver não é retratado assim na cidade.

Mas de certa forma, acredito que são obras mais abertas que cada um reflete a partir das suas próprias referências e vivências. De certa forma, eu fui muito influenciado pelos grupo locais da cidade como o Coletivo B.I.L, que atua na música e o Grupo TIA, que é do teatro e acho que de alguma forma minha proposta de fazer cinema e pensar a cidade através da imagem é contagiada por essa atuação local.

Se eu desejo provocar algo, talvez seja provocar algo mais em mim e na minha equipe do que provocar no público.
Acho que a recepção é uma forma de comunicação da obra quando finalizada e aí cada um vai ter sua percepção. Meu desejo é produzir, fazer um filme e deixar essa referência aí para ser vista.

Assim como o filme é uma caminhada, o ato
de produzir e trabalhar acredito que também seja uma “caminhada”, um percurso, uma
construção, o que conta é o processo.

Wender Zanon

Essencialle: Como você enxerga o cenário do cinema em Canoas para 2030 e que papel essa produção pode desempenhar nesse futuro?

Wender: Assim como os grupos que me influenciaram, como comentei na pergunta anterior, espero que uma obra gere outra obra. Acredito que ter acesso ao que é produzido na cidade também estimula que outras pessoas produzam e se interessem pelo fazer artístico. É difícil enxergar esse cenário para daqui cinco anos, mas existem vários agentes culturais que estão promovendo atividades formativas e também produzindo suas obras. Canoas é uma cidade que é movida pela força dos artistas e produtores.

Além das ações do próprio Festival de Cinema de Canoas, por exemplo, tem o Alex Domingues que é oficineiro e criador audiovisual, tem o LAB | Escola de Criatividade com diversas oficinas, tem a Mostra de Cinema do Campus Canoas do IFRS, que também é uma tela de exibição formativa na cidade. Esses são alguns nomes que me vieram agora na cabeça.

Acredito que são essas diversas forças somadas que podem fazer alguma diferença, em um determinado período de tempo. Mas para que exista um futuro é preciso que exista um investimento constante em cultura.

Hoje temos a Lei Aldir Blanc para celebrar e ter alguma perspectiva, mas ainda é um sistema de competição via edital que fomenta o cenário cultural por um determinado período e que contemplara alguns projetos, mas não todos.

Foto Crédito: Marcelo Leitão

Sobre o Diretor

Wender Zanon é um cineasta e produtor cultural canoense com uma trajetória dedicada ao cinema documental independente e à investigação das dinâmicas urbanas. À frente da Zender Produção Cultura, seu trabalho é marcado por uma abordagem sensível e crítica sobre identidade, espaço e memória.

A trilogia sobre Canoas — iniciada com “This is Canoas, not Poa” (2021), seguida por “Ensaios sobre uma Cidade” (2022) e finalizada com este “Um Filme de BR” — é um dos principais frutos de sua carreira, consolidando-o como um importante cronista visual da cidade.


Ficha Técnica:

UM FILME DE BR
Projeto realizado com recursos da Lei Complementar nº 195/2022 (Lei Paulo Gustavo).
O Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura de Canoas, Grupo TIA e Zender Produção cultural apresentam.
Direção e produção: Wender Zanon.

Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu Contato: 51.986320145

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