Viralizou e depois? A cultura descartável dos nossos ídolos instantâneos

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Um vídeo engraçado, um bordão que pega, um momento de espontaneidade captado pela câmera — e pronto. Alguém que até ontem era anônimo vira sensação da noite pro dia. A internet transforma desconhecidos em ídolos em questão de horas. Mas depois? Depois vem o silêncio, a queda, o esquecimento. Vivemos a era dos ídolos instantâneos — e da fama que evapora.

A viralização virou uma espécie de roleta emocional. Em vez de construir trajetória, ela acelera picos e tombos. Um vídeo de 15 segundos pode te lançar… mas dificilmente te sustenta. Porque o mesmo algoritmo que empurra pra cima exige o dobro pra manter você ali. E o público, com fome de novidade, descarta com a mesma velocidade que consome.

O problema não é alguém viralizar. O problema é o que a gente faz com essas pessoas depois. A internet consome seus bastidores, cobra posicionamento, arranca intimidade, transforma tudo em conteúdo — e quando esse alguém não entrega mais, some do radar. E a gente parte pro próximo rosto. É como se fama tivesse data de validade.

Essa lógica é cruel. Porque ela não exige talento, nem preparo, nem estrutura emocional. Ela exige engajamento imediato — e esquece que por trás do “fenômeno do momento” tem uma pessoa tentando entender o que acabou de acontecer com a própria vida. A fama virou um evento — não uma construção.

Enquanto isso, a gente vai se acostumando a se apegar rápido e soltar mais rápido ainda. Seguimos, curtimos, idolatramos — e logo depois, esquecemos. E esse ciclo constante não impacta só quem viraliza, mas também quem consome: estamos perdendo a capacidade de aprofundar, de acompanhar, de sustentar interesse real.

No fim, o que fica não é o meme, nem o bordão. O que fica é a sensação de vazio depois do hype. E talvez esteja na hora de mudar a pergunta: não mais “quem vai viralizar?”, mas sim “quem a gente está disposto a acompanhar de verdade, mesmo depois que a febre passa?”

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