O Topo cega

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Há quem chega no topo e esquece da margem, há quem passe correndo pra não encostar em ninguém da margem, sem observar que a margem é viva.

O topo é uma ilusão, uma ilusão escorregadia. Quanto maior o topo, maior a ilusão, algumas pessoas acham que a vitória é a derrota dos outros. Os olhos estão embaçados, vedados, cegados.

A vitória dos outros pode ser a sua.Não vitórias iguais, vitórias apenas diferentes,estar no topo e ficar cego é um problema de si mesmo. Nessas horas, a gente deveria tomar um gole de silêncio profundo.Olhar para dentro de si e perceber que o topo não é um lugar eterno e nem deveria ser tão individual.

Muitos já chegaram no topo e desceram por escolha. Escolher descer do topo é muito mais corajoso do que ficar nele, mesmo sabendo que todo o resto segue na margem.Até porque existe um segredo de todo mundo que chegou no topo, que é muito fácil de ser observado.Se você já sabe o caminho, você trilha ele novamente, sem tanta dificuldade. Você lembra da trilha que fez, do tempo que leva, de como se faz.Então, quem não está no topo pela segunda vez, é porque percebeu que há um incômodo silencioso dentro de si quando suas forças se voltam somente para a sua própria felicidade ou podemos dizer espécie de felicidade.

Nesse mundo, o dinheiro tem muito valor para as pessoas mas é o tempo que tem mais valor do que o dinheiro.

Doar tempo de si para os outros, estar pronto para batalhar por outros, por coletivos, por grupos, tem um peso muito maior e muito mais significativo e relevante do que olhar apenas para o seu próprio umbigo num topo gelado, em uma montanha imensa, construída em cima de riquezas sem fim, em que você não consegue mais enxergar as travas que o seu olho criou.

Que você confunde simplicidade com pobreza.

Foto crédito: Google

Enquanto milhares de frutas caem no chão e apodrecem em árvores carregadas de frutos, milhares de pessoas queriam muito ter uma fruta para sentir um pouco da doçura da vida.Há quem culpe aqueles que estão na margem, porque é mais fácil culpar do que cuidar de alguém.

É mais fácil esquecer a história real do passado, as mortes, a escravidão, as capitanias hereditárias, a política feita somente para quem esteve no topo, para quem se manteve no topo e está sentado em cima de um trono.

Abaixo dele, um alçapão aonde a margem empurra, tentando respirar e entre o topo e a margem há uma pequena distância.

Edição e revisão: Isabel Kurrle

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