Frevo, cinema e a arte como respiro

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Na semana passada, meu coração de artista bateu mais forte. O Brasil voltou a ser ovacionado em Cannes com mais de 13 minutos de aplausos para O Agente Secreto, filme protagonizado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho. Mas o que me atravessou mesmo foi a forma como a equipe chegou: ao som do frevo, com os pés no chão da cultura popular, reverenciando Recife e suas raízes.

Foi um desfile de arte, talento e resistência. E aquilo me lembrou por que sigo acreditando no que faço.

Minha história com a arte começou no palco do Nós do Morro, grupo que forma jovens artistas na comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro. Ali, aprendi que o figurino é mais do que roupa  é memória, linguagem, território. E também é ferramenta de transformação. Vi meninos e meninas reencontrarem sua autoestima ao se verem no espelho de um personagem. A arte, ali, salvava. Ainda salva.

Não é exagero: a cultura brasileira alimenta a alma e também a economia. Em 2023, a economia criativa movimentou cerca de 7,8 milhões de empregos, crescendo mesmo em tempos instáveis. Moda, audiovisual, música, design — tudo isso gera renda e, mais que isso, sentido.

Aplaudir o frevo em Cannes é bonito. Mas mais bonito ainda é entender que aquilo não é folclore: é presente, é futuro. É o Brasil sendo olhado com admiração lá fora, enquanto aqui dentro ainda lutamos para que a cultura não seja vista como luxo.

Essa é minha quarta coluna na Essencielle News, e não é por acaso que escolho escrever sobre arte mais uma vez. Porque toda vez que vejo um figurino ganhar corpo numa criança, ou um palco ser montado no improviso e virar abrigo de sonhos, eu lembro: nunca foi só espetáculo. É sobrevivência. É presença.

E se você também se alimenta da arte seja assistindo um filme, vestindo uma peça ressignificada ou se emocionando com uma canja de voz afinada, vem conversar. Esse espaço aqui é de fala, mas também de escuta. 

Com afeto e vestígios de purpurina,
Amanda 

Créditos: O Globo e Quem

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