Laços escolhidos pelo coração

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Há algo de transformador, misterioso e até sublime quando se deixa de lado a explicação da biologia, do sangue e se olha para a realidade do amor puro.

Mães adotivas têm um certo privilégio com Deus, eu acredito que as orações são ouvidas, talvez por reconhecimento. Não é para todo mundo amar alguém que não vem de si, que não é do seu sangue que não tem as mesmas vontades, desejos e ambições.

Antigamente as adoções eram feitas de uma forma mais fácil, menos burocrática. Era você decidir que queria ter um filho, se inscrever, buscar e registrar no seu nome e mesmo assim, milhares de crianças ficavam órfãs.

Eu não acho que seja uma escolha fácil ou difícil mas um movimento de coragem. Coragem é uma coisa que ainda assim, teria um medo suplantado, uma restrição, uma luta interna e não vejo essa negociação. Adotar desorganiza as certezas.

Muitas dessas mães enfrentam o julgamento silencioso ou barulhento de familiares, amigos, da sociedade. Escutam dúvidas onde poderia haver acolhimento. Questionamentos onde poderia haver admiração e ainda assim, permanecem na sua opinião porque o amor quando é verdadeiro não pede: Com licença deixe-me existir!

Foto: Freepik

Poder criar um filho é de certa forma participar da continuidade da vida mas escolher um filho é participar da reconstrução dela.

Elas dão tudo: tempo, energia, sonhos, às vezes até a própria paz. Lutam com uma força que não se explica, só se reconhece. Uma força que não nasce na obrigação mas na escolha e se renova todos os dias.
Talvez seja isso que mais define essas mães.

Elas escolhem e escolher ficar, quando seria mais fácil recuar, é construir um vínculo onde antes havia apenas a possibilidade e isso é algo muito divino.

É como pegar um atalho que já havia começado a ser trilhado por outra pessoa e dar fim a ele, transformando-o em caminho.
Afinal ser mãe adotiva não é nada sobre a origem e sim sobre o futuro.

Foto: Freepik

Os laços mais fortes não nascem com a gente são aqueles que em silêncio e com o coração aberto se fortalecem em uma decisão.

Minha mãe foi procurada por duas mães que adotaram seus filhos, baseadas na opinião dela sobre se deveriam ou não adotar.

Hoje vejo esses rapazes fazendo seu destino em uma família bonita e lutando por uma vida ainda mais impactante do que jamais poderiam sonhar se estivessem em um orfanato.

Agradecer é uma forma singela de perceber as coisas que cada uma delas enfrentou para se tornar mãe.
E mesmo sem querer, inspiram outras a fazer o mesmo.

Obrigado mãe!

Edição e revisão: Isabel Kurrle

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