Algumas mulheres nos inspiram pelas conquistas, outras pela forma como atravessam as mudanças sem perder a própria essência.
Maria Cecilia Saad, a Cissa, é uma delas nos conhecemos aos 21 anos, trabalhando em uma multimarcas no Fashion Mall, no Rio de Janeiro.
Eu era vendedora, ela estudante de Moda, desde então construímos uma amizade marcada por trocas, sonhos e aprendizado.
Enquanto estudava, Cissa compartilhava comigo tudo o que aprendia na faculdade, falava sobre criação, modelagem, história da moda e processos criativos. Sem perceber ampliava meu olhar para novas possibilidades.

Formada em Moda, construiu uma trajetória sólida, passando por marcas importantes como a Reserva, participando da criação da Reserva Mini, além de atuar em figurinos para televisão e projetos criativos no Rio de Janeiro.
Hoje vivendo em Nova York, segue criando à frente da Green Sprout Studio e ao observar sua trajetória, percebo que não houve ruptura mas continuidade.
A mesma sensibilidade que antes se expressava nos tecidos agora floresce por meio da arte floral. Especializada em design floral para marcas, editoriais, eventos, escritórios e residências,

A Green Sprout Studio transforma flores, cores e texturas em narrativas visuais que despertam emoções e transformam ambientes.
O que mais me inspira em sua história não é a mudança de profissão ou de país mas a coragem de permanecer fiel à própria essência.
Em um mundo que valoriza reinvenções constantes, Cissa nos mostra que crescer não significa abandonar quem somos mas encontrar novas formas de expressar aquilo que sempre esteve dentro de nós.

Seu olhar para a moda continua presente em cada criação: flores, formas, cores e texturas dialogam com a mesma sofisticação de um editorial de moda cuidadosamente construído.
Por isso, deixo o convite para conhecer seu trabalho pelo Instagram @greensproutstudio33
Mais do que belas imagens, você encontrará inspiração, sensibilidade e a prova de que mulheres potentes florescem em qualquer território sem perder a própria essência porque algumas mulheres não apenas transformam suas trajetórias, elas também nos inspiram a transformar as nossas.

Entrevista
1- Você já criou através da moda, dos figurinos e agora das flores. O que permanece igual em você, independentemente da matéria-prima?
O que permanece igual é a minha necessidade de contar histórias através da beleza.
Seja com tecidos, figurinos ou flores, sempre fui movida pelo desejo de criar algo que desperte emoção, que faça alguém sentir alguma coisa.
A matéria-prima muda mas o olhar continua o mesmo: observar, compor, criar atmosferas e traduzir sentimentos em formas, cores e texturas.
2- Quando olha para a jovem estudante de moda que conheci aos 21 anos, existe algo que ela sonhava e que você só compreendeu muitos anos depois?
Ela sonhava com liberdade criativa e acreditava que sucesso significava chegar a um lugar específico. Hoje entendo que o mais importante não era o destino mas a construção de uma vida alinhada com quem eu sou.
Demorei anos para compreender que a realização não está apenas no reconhecimento profissional mas em acordar todos os dias fazendo algo que faz sentido para mim.

3- Mudar de país costuma nos obrigar a reconstruir muitas coisas. O que Nova York despertou em você que talvez nunca tivesse aparecido se tivesse permanecido no Rio?
Nova York despertou minha coragem, quando você deixa para trás tudo o que conhece, não sobra muito além de quem você realmente é.
A cidade me ensinou a confiar mais em mim mesma, a me reinventar e a enxergar oportunidades onde antes eu via obstáculos.
Acho que foi aqui que descobri uma força e uma independência que talvez nunca tivessem sido exigidas de mim se eu tivesse permanecido na minha zona de conforto.
4 – Seu trabalho fala muito sobre beleza mas existe alguma diferença entre aquilo que consideramos bonito e aquilo que realmente nos emociona?
Sim. O bonito agrada aos olhos, o que emociona toca algo mais profundo. Muitas vezes, a emoção está na imperfeição, na memória que algo desperta ou na sensação que um espaço transmite.
Hoje me interessa muito mais criar experiências que gerem conexão do que simplesmente algo visualmente bonito. A beleza passa; a emoção permanece.

5- Se você pudesse deixar uma única mensagem para mulheres que estão vivendo uma transição profissional ou pessoal, qual seria?
Não tenham medo de recomeçar, muitas vezes acreditamos que mudar de caminho significa abandonar tudo o que construímos, quando na verdade carregamos conosco todas as experiências, aprendizados e versões anteriores de quem fomos.
Nada é perdido.
Os recomeços podem parecer assustadores mas frequentemente são eles que nos levam para mais perto da nossa essência e da vida que realmente desejamos construir.
Fotos crédito: Lee Landell