É através da informação que fazemos a diferença, é quando se toca verdadeiramente um coração que um olhar se expande e “renasce uma vida” !
E por isto, que quando se promove campanhas como esta, a comunicação vai mais longe, a informação chega, as pessoas tendem a parar mais para refletir sobre determinados temas. Talvez possamos pensar também no reflexo social de determinados temas, compreendendo que isto não acontece apenas com você, você não está sozinho a sofrer ou viver isto, acidentes de trânsito, ter perdido alguém querido em razão do câncer, do suicídio, entre outros.
Setembro Amarelo
O mês de setembro nos convida a falar sobre o suicídio, a campanha setembro amarelo que surgiu em 2015, nos convida a comunicar isto continuamente a cada chegada deste mês no calendário, como o outubro rosa, o novembro azul e outros. Neste caso, vamos ao tema que importa, que envolve pessoas, envolve vidas e famílias…
Quando no caso de suicídio, perder alguém importante, uma pessoa que amamos, que nos faz sentir saudade, lembrar muitas vezes, faz muitos ficarem à procura de respostas, desejando compreender o que aconteceu e por vezes até, nominando culpados, e quando se trata disto, a questão comumente não tem a ver com o outro e sim com o sofrimento sentido, com a dor emocional não tratada, não curada.
É exatamente esta que devemos ficar alertas, uma ferida não curada pode se transformar em coisas maiores, difíceis de dar conta. Por isto, tomar cuidado ao que não é dito, dar atenção para quem cala…
Afinal, não existe aquela regra que “quem quer se matar não fala”, simplesmente faz. Alguns não vão falar e vão fazer, e alguns vão falar, dê atenção, encaminhe para ajuda profissional, comprometa-se com isto, é uma pessoa em sofrimento, que não está vendo saída ou alternativa para a vida naquele momento.

Precisamos aqui compreender que falar, diferente do que muitos pensam e até ditam como regra, costuma ser um pedido de socorro, uma mão estendida pedindo ajuda. Por isto, compreenda que falar coisas como “querer desaparecer”, ou comportamentos como isolamento social, abuso de álcool e drogas, gostar de velocidade, nos indicam atenção para com este desejo.
O suicídio quase sempre está ligado a outros transtornos mentais, como a depressão, cada vez mais comum atualmente, a bipolaridade e a esquizofrenia. Mas precisamos ficar alertas, pois muitas vezes está ao nosso lado, mesmo sem manifesto ou patologias envolvidas, pois uma dor emocional intensa pode gerar um ato de desespero e o desejo nestes casos, é parar com o sofrimento.
Dados Alarmantes
Saiba também que o suicídio está em constante crescimento em nosso país, a OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo e que esta, é uma das principais causas de morte entre pessoas entre 15 e 29 anos. No Brasil cerca de 42 pessoas tiram a própria vida por dia, somente em nosso país são mais de 15 mil mortes por ano, segundo o Centro de valorização da Vida (CVV).
Entre 2011 e 2022 a taxa de suicídio aumentou em média 6% ao ano, e isto é mais alarmante para os adolescentes e jovens adultos dentro desta faixa etária de maior vulnerabilidade (de 15 a 29 anos).
O Sistema único de saúde (SUS) registrou mais de 11.000 internações em 2023 devido as tentativas de suicídio, são 31 casos por dia em média, o que nos mostra um aumento de 25% em comparação a 2014. E os suicídios por intoxicação medicamentosa cresceram 2,6 vezes entre 2003 e 2022, apresentando um aumento significativo deste, como método de suicídio. Cabe ressaltar aqui o uso indiscriminado de automedicações, alternativa encontrada por muitos para lidar com o “sofrimento psíquico” ao invés de tratá-lo.
Tão alarmante quanto estes dados, podemos referir as autolesões como queimar-se levemente, arranhar a pele, fazer cortes superficiais, ou qualquer comportamento em que a pessoa causa dano intencional ao próprio corpo, sem necessariamente ter a intenção de morrer.
Estes comportamentos são usados comumente para regular emoções intensas, aliviar momentaneamente alguma dor emocional. E muitos romantizam isto, como se não um “grito em silêncio” por socorro. Percebam aqui que isto ocorre já desde o final da infância, início da ainda pré-adolescência, manifestando-se em pessoas entre 10 e 24 anos. A Fiocruz aponta um aumento das autolesões em 29% ao ano entre 2011 e 2022.
O que muitas vezes mais se precisa em um primeiro momento é a compreensão de que vai passar, alimentar verdadeiramente a esperança de que tem solução.

Contudo, e talvez o mais importante, principalmente quando já há este “pedido de socorro”, seja ele da forma que vier, a melhor forma de cuidar e prevenir é tratar verdadeiramente, cuidar do emocional. E para tanto, a ajuda profissional costuma ser o melhor passo. E você, pode ser a ponte que liga esta pessoa que pede ajuda a quem toque verdadeiramente o seu coração, trazendo-a assim, de volta a vida.
Para este primeiro momento ainda antes da ajuda profissional, o que fazer? Escutar verdadeiramente, sem criticar, auxiliar esta pessoa a compreender que ela tem pessoas por ela, que ela não está sozinha, e algumas vezes, além de sugerir a ajuda profissional, você mesmo pode procurar com ela. Ser a ponte, lembra?

Além de Psicólogos e Psiquiatras, existe o CVV com mais de 3 mil voluntários treinados para esta situação de risco, que atendem 24 horas por dia, de forma sigilosa. Atendimentos que podem ser realizados por telefone, pelo número 188, com ligação gratuita, pelo chat cvv.org.br ou em mais de 120 postos de escuta presencial.
Além destes o SUS disponibiliza atendimento psicológico por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que atendem os casos mais complexos.
Você pode ser o último “grito” de alguém, se isto acontecer, seja a ponte!
(Michelle Pajak- Psicóloga Clínica e Treinadora Comportamental/ Sócia-Diretora da SHD- Ser Humano Desenvolvimento)