O tempo voltou? Por que a nostalgia virou tendência até nos filtros do celular

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Tem algo estranho acontecendo: quanto mais avançamos em tecnologia, mais buscamos o passado como referência. É vinil que volta às prateleiras, é tênis retrô desfilando nas ruas, é filtro de story com cara de câmera analógica. A nostalgia virou estética — e, mais do que isso, virou linguagem emocional.

Mas não se trata só de lembrar com carinho. A nostalgia hoje é um ponto de apoio. Um jeito de criar conexão em meio à avalanche de estímulos novos o tempo todo. É como se o passado oferecesse uma espécie de refúgio, um lugar onde as coisas pareciam mais lentas, mais simples, mais seguras.

Os filtros com granulação e cor lavada, os posts que imitam VHS, os vídeos com fundo de bossa nova antiga: tudo isso diz mais sobre o nosso presente do que sobre o passado. Porque o que está em alta não é a imagem da década de 90 em si — é o sentimento que ela desperta. E isso vale pra moda, pra decoração, pro entretenimento, pra comida e até pra forma de se comunicar.

No fundo, o que a gente está tentando fazer é desacelerar. Mesmo que seja por meio de uma estética digital. Mesmo que dure só os 15 segundos de um story. O que buscamos não é só estilo, é afeto. E nesse sentido, o vintage virou uma espécie de abraço visual — aquele que diz: “eu também sinto falta de quando tudo era mais simples”.

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