Com influências que vão desde ACDC até Zé Ramalho, passando por Alceu Valença até chegar em Pink Floyd, o artista que transita entre o folk e o hard rock é autor da música “Lata Velha”, trilha sonora do quadro homônimo do programa Domingão do Huck da rede Globo.
Com 20 álbuns lançados, Landau roda o Brasil e o Mundo com sua guitarra – as vezes um violão – na bagagem. Pode aparecer acompanhado por uma banda em shows para milhares de pessoas mas também, surgir em pubs menores, em apresentações bem intimistas, no formato acústico, para os sortudos presentes.
E nestas dezenas de milhares de quilômetros rodados, Landau passou por Canoas RS lá por 2010 e por aqui criou laços profissionais e também de muita amizade e carinho. Sempre que ele pode dá um pulinho – pra ver como tá o chimarrão e o churrasco – como ele diz – e fazer alguns shows pela Região Sul. Tive e tenho o privilégio de estar com ele em muitos momentos e sempre conversamos, de forma bem humorada, a respeito de música, profissão, família e vida pessoal.
Landau não é só uma “Lata Velha” multi-instrumentista, ele grava todos os instrumentos de suas composições e assim, possui hoje centenas de músicas, muitas delas, disponibilizadas na internet.

Entrevista
Qual é o nome que está no teu RG?
Flávio Oliveira de Oliveira
De onde veio o teu nome artístico?
O nome veio de uma visão que tive ainda em BH. Quando comecei, achava que “Flávio Oliveira” não ia funcionar muito bem – risos. Naquela busca por um nome, um dia eu vi uma mulher dirigindo um Landau cinza, com teto em vinil preto, e fiquei encantado com aquilo. Então pensei que “Landau” era um nome curto, sonoro e que ficaria bom em um cartaz de show.
Qual foi teu primeiro contato com a música?
A música veio com minha família, através dos meus tios e da minha mãe, que cantavam e tocavam muito bem. Minha infância foi rodeada de violões e melodias soando pela casa. Também tive a influência dos meus avós, que eram cantores de seresta e sonhavam em juntar todo mundo em um ônibus e sair viajando como um circo, levando alegria ao povo.
Quando tu percebeste que teria uma carreira de músico?
Por volta de 1990 ou 1991 eu comecei a fazer aulas de bateria passei a frequentar a noite pra ver meus irmãos e meus tios tocarem. Mas virada de chave veio em dois momentos: Um deles foi o show do Nenhum de Nós, na minha cidade, Alfenas-MG. O outro foi um show do Zé Geraldo. Com o Nenhum eu quis ser músico, e com o Zé Geraldo eu quis ser compositor e artista.
Quais são tuas principais influências musicais?
Além da influência dos meus tios e avós, o rock nacional e o internacional marcaram muito minha infância e adolescência. Acho que Raul Seixas e Alceu Valença são pilares fortes dessa escolha. O Alceu trouxe a psicodelia nordestina e o Raul misturou o baião com o rock’n’roll. Nos meus shows nunca faltam músicas de nenhum dos dois.
Qual é tua música favorita da vida? e por quê?
Talvez tenha sido a primeira canção que aprendi no violão – Senhorita – do Zé Geraldo. Essa música me ajudou a despertar para cantar algo romântico e que fala das nossas raízes lá de Minas Gerais. Hoje, inclusive, eu e ele estamos produzindo um trabalho juntos.
E entre as que tu compuseste? e por quê?
A canção pela qual tenho um carinho muito especial é “O Trem e o Ouro”, minha mais recente. Acho que nela eu consegui expressar, minha paixão pela região e pelo meu estado. Ela fala da represa de Furnas. É lá que nasce o Rio São Francisco, no pé da Serra da Canastra. A canção também faz referência ao ouro levado embora nos tempos do Brasil Império, e tem uma temática muito especial, com parte da letra inspirada em um conto de Valdir de Luna Carneiro, teatrólogo de Alfenas.
Qual foi o show mais memorável da tua carreira?
Com certeza, o primeiro show que fiz em Belo Horizonte, em um local chamado Seis e Meia Pub, um pub irlandês todo temático. Foi a primeira vez que peguei o violão e fiz um show só meu, cantando. Foi desafiador, e lembro todo o repertório que toquei, do começo ao fim. Inesquecível.
Qual foi o pior show que tu já fizeste?
Não diria o pior mas o mais difícil. Foi em Alfenas MG ao lado dos meus irmãos – Rogério Flausino e Wilson Sideral. Um show muito complicado, porque minha mãe estava muito mal, já no finzinho de sua da vida. Esse show foi no dia 15 de outubro de 2015, e minha mãe faleceu alguns dias depois. Foi muito delicado subir ao palco.
Qual tu achas que é o papel do artista na sociedade?
Para mim, é emocionar o público e estar livre para se emocionar também. Nossa função como compositores é escrever coisas que vêm da alma, naturalmente, sem forçar. São extensões da gente, quase como um diário de bordo, que trazem nossos sentimentos, desejos e anseios.
Qual leitura tu recomendarias para teus filhos?
Nossa! Difícil, hein? Mas tem um livro que me marcou muito, chamado O Mistério do 5 Estrelas, uma história infanto-juvenil de investigação. É de uma coleção chamada Para Gostar de Ler. Recomendo, porque é muito legal e os jovens entram facilmente na trama.
Qual filme ou série tu assistirias mais de uma vez?
Com certeza, a trilogia De Volta Para o Futuro, principalmente o terceiro, que se passa no Velho Oeste. Eu amo faroeste e amo as trilhas sonoras. Sempre que posso, assisto aos três filmes em sequência – risos.
Se tu pudesses ser um personagem ou outra pessoa, quem gostarias de ser e por quê?
Eu gostaria de ser o Clint Eastwood – risos. Talvez o maior herói do Velho Oeste. Adoraria ser ele, ao menos por uma tarde, no deserto do Arizona. Gravando um filme naquela paisagem maravilhosa, com um poncho de lã lindo e um chapéu imponente.
Que mensagem tu gostarias de pichar em um muro?
Caramba! Essa eu vou precisar pensar… calma aí…
– Quem constrói o Brasil é o pedreiro!
O que é essencial para ti?
Fazer as coisas com muito amor.
Landau – O Trem e o Ouro
Youtube: https://www.youtube.com/@LandauOficial
Sugestões de Landau
Livro: O Mistério do 5 Estrelas – Marcos Reys
Grupo Editorial Global
Filme: De Volta Para o Futuro III – Robert Zemeckis, Bob Gale
Universal Pictures
Instagram: https://www.instagram.com/landauoficial/

Edição de Isabel Kurrle.